“A crença de que existe apenas uma verdade, e de que alguém está em posse dela, parece-me a raíz mais profunda de todo o mal no mundo.” – Max Born (Physics in My Generation), recebeu o Prêmio Nobel de Física em 1954.
Estimativas apontam que os medicamentos patenteados costumam ter de 10 a 100 vezes mais estudos clínicos robustos do que a maioria dos fitoterápicos. A seguir, vamos analisar esta questão.
Fitoterápicos são medicamentos feitos exclusivamente a partir de plantas medicinais. Diferente de chás caseiros ou suplementos naturais, eles passam por processos de padronização, controle de qualidade e estudos de segurança.
Ou seja: não é apenas “produto natural”. É um medicamento de origem vegetal.
Alguns sim — e têm estudos científicos que comprovam seus benefícios. Outros ainda têm evidências limitadas. Por isso, é importante diferenciar tradição popular de comprovação científica.
Porque são substâncias naturais, a lei de patentes exige que seja invenção, não descoberta.
E substâncias naturais (plantas, raízes, vitaminas, minerais) já existem na natureza, então:
O médico que atua com nutrientes e fitoterápicos é aquele com formação em Nutrologia.
O Dr. Felipe Caixeta é médico pela Faculdade de Ciências Médicas de Minas Gerais, com formação em Nutrologia pela Associação Brasileira de Nutrologia (ABRAN).
Tem 18 anos de experiência clínica e atua com suplementação nutricional há cerca de 10 anos.
Possui também especializações em Nutrologia Esportiva e Homeostase Hormonal.

Porque não existe incentivo econômico forte, nem exigência regulatória, nem proteção de propriedade intelectual que justifique grandes investimentos em pesquisas caras.
O resultado é um ciclo: menos dinheiro → menos estudos → menos evidências → menos credibilidade.

| Medicamentos patenteados | Fitoterápicos |
| Possuem muito mais estudos de alta qualidade, por exigência regulatória e por forte incentivo comercial. | Possuem menos estudos e de qualidade mais heterogênea, apesar de alguns compostos isolados apresentarem evidências robustas. |

| Característica | Medicamentos com patente | Fitoterápicos sem patente |
| Incentivo econômico | Altíssimo | Baixo |
| Retorno financeiro | Retorno financeiro previsível | Concorrência ampla, sem exclusividade comercial |
| Quantidade de estudos | Muito alta | Baixa a moderada |
| Qualidade média | Alta | Moderada ou baixa |
| Rigor regulatório | Exigência regulatória alta → obriga estudos robustos | Exigência regulatória muito menor |
Não. Mesmo sendo de origem vegetal, fitoterápicos podem:
Por isso, devem ser usados com orientação profissional.
Eles podem ser úteis principalmente em:
Em quadros moderados ou graves, geralmente não substituem medicamentos tradicionais.
Fitoterápicos não são moléculas isoladas; são misturas complexas.
Isso cria problemas:
Essas dificuldades aumentam o custo e a complexidade dos estudos, reduzindo o incentivo.
O Efeito Lindy é um conceito que sugere que quanto mais tempo algo não perecível existe, maior é a expectativa de que continuará existindo. Ou seja, a vida futura de uma ideia, tecnologia, livro, teoria ou tradição tende a ser proporcional ao seu tempo de sobrevivência até agora.
É uma forma de prever durabilidade baseada na robustez demonstrada pelo tempo.
O efeito NÃO se aplica a coisas que têm vida útil física limitada (como humanos, lâmpadas ou carros). É restrito a entidades não perecíveis, especialmente:
O nome vem do Lindy’s Deli, um restaurante em Nova York onde comediantes e artistas discutiam quanto tempo certas obras de teatro estariam em cartaz.
Porque o tempo atua como um filtro:
Assim, o que sobrevive mais tempo provou sua robustez.
Em resumo, ideias que já sobreviveram por muito tempo tendem a sobreviver por ainda mais tempo.
Sim, se uma planta medicinal é usada há séculos ou milênios em diferentes culturas, para propósitos relativamente semelhantes, e seu uso permaneceu ao longo das gerações, então existe uma probabilidade maior de ela ter algum efeito real, ou ao menos de ser relativamente segura nas condições tradicionais de uso.
| Substância | Indicação clínica | Tempo aproximado de uso pela humanidade | Origem |
| Ashwagandha (Withania somnifera) | Fadiga física e mental | > 3.000 anos | Planta clássica da medicina tradicional indiana. |
| Panax ginseng | Fadiga física e mental | > 2.000 anos | Usado desde a dinastia Han na medicina chinesa. |
| Silimarina (Silybum marianum) | Doenças do fígado | > 2.000 anos | Uso na medicina greco-romana. |
| Rhodiola rosea | Fadiga relacionada ao estresse | > 1.000 anos | Uso tradicional por povos da Sibéria, Escandinávia e China. |
| Long Jack (Eurycoma longifolia) | Disfunção sexual, composição corporal | 400–500 anos | Tradicional no Sudeste Asiático (Malásia/Indonésia). |
| Substância | Indicação clínica | Tempo aproximado de uso pela humanidade | Observações |
| Dipirona | Analgésico | ~100 anos | Descoberta em 1920 |
| Amoxicilina | Analgésico | ~50 anos | Introduzida em 1972 |
| Losartana | Anti-hipertensivo | ~30 anos | Lançada em 1995. |
| Rosuvastatina | Controle de colesterol | ~25 anos | Início dos anos 2000. |
| Yasmin (drospirenona + etinilestradiol) | Anticoncepcional oral | ~25 anos | Lançada em 2000. |
Mesmo quando há efeito Lindy, isso não garante:
Algo pode sobreviver por tradição, não por eficácia farmacológica. Alguns usos tradicionais não se comprovam em estudos modernos.
A forma como se usa hoje pode ser totalmente diferente da forma tradicional:
O uso milenar pode garantir segurança nas preparações tradicionais, mas não necessariamente no uso moderno.
Às vezes algo persiste por fatores culturais, não biológicos:
O efeito Lindy não substitui evidências científicas modernas, especialmente para:
| Substância | Tipo | Nível de evidência científica |
| Amoxicilina | Medicamento comum | Forte |
| Losartana | Medicamento comum | Forte |
| Rosuvastatina | Medicamento comum | Forte |
| Yasmin (drospirenona + etinilestradiol) | Medicamento comum | Forte |
| Dipirona (Metamizol) | Medicamento comum | Forte |
| Ashwagandha (Withania somnifera) | Fitoterápico | Moderado a forte |
| Long Jack (Eurycoma longifolia) | Fitoterápico | Moderado a forte |
| Silimarina (Silybum marianum) | Fitoterápico | Moderado a forte |
| Panax ginseng | Fitoterápico | Moderado |
| Rhodiola rosea | Fitoterápico | Moderado |
Sim. O SUS possui uma política nacional voltada ao uso de plantas medicinais e fitoterápicos. Esses produtos fazem parte das práticas integrativas reconhecidas pelo Ministério da Saúde. Porém, a disponibilidade pode variar de acordo com o município e da estrutura da chamada “Farmácia Viva”.
O Ministério da Saúde reconhece a fitoterapia por meio da Política Nacional de Práticas Integrativas e Complementares. As plantas medicinais oficialmente listadas no Brasil estão descritas na RENISUS e RENAME.
Diferença prática: RENISUS → plantas priorizadas para pesquisa e desenvolvimento; RENAME → medicamentos essenciais já incorporados ao SUS.
Em síntese, o SUS prioriza fitoterápicos seguros, baratos e culturalmente aceitos, mesmo quando a evidência não atinge o padrão de grandes ensaios internacionais.
A ilustração a seguir, mostra os fitoterápicos tradicionalmente incluídos (extratos/derivados padronizados) e que estão entre os mais utilizados pelo SUS.

Você pode:
Geralmente são utilizados em casos leves a moderados, como:
Eles podem complementar tratamentos convencionais, mas não substituem acompanhamento médico quando necessário.
Mesmo fitoterápicos com evidência clínica consistente costumam receber pouco destaque. Esses temas raramente são cobrados em provas ou discutidos com a mesma profundidade que fármacos clássicos.
Muitas vezes, não é a qualidade da evidência científica que determina a presença da fitoterapia no currículo médico, mas sim fatores históricos, culturais, regulatórios e econômicos.
No Brasil, a fitoterapia raramente é disciplina obrigatória, mas aparece como disciplina optativa, módulo transversal ou extensão, especialmente em instituições ligadas ao SUS.
Universidades com ensino documentado de fitoterapia / plantas medicinais: UFMG, UFSC, UFRJ, UFBA, UFPE, UFC, UFPR.
Outros contextos: Ligas acadêmicas de fitoterapia; Residências em Medicina de Família e Comunidade; Programas de extensão vinculados à RENISUS / Farmácias Vivas.
Fitoterapia é parte formal do currículo médico, integrada à farmacologia.
Fitoterapia baseada em extratos padronizados, frequentemente comparada a fármacos sintéticos.
Fitoterapia dentro de farmacologia clínica e medicina integrativa.
Ensino crítico: só entram fitoterápicos com ensaios clínicos robustos.
Inserção dentro da Medicina Integrativa, com forte foco em:
Alguns fitoterápicos aparecem com mais frequência em livros médicos e diretrizes internacionais. Veja os principais:
O psyllium é uma fibra natural usada para:
É considerado um dos fitoterápicos mais seguros e bem estudados.
O ginkgo biloba é estudado para:
Alguns estudos mostram benefício discreto, especialmente em idosos. Porém, pode aumentar o risco de sangramento em quem usa anticoagulantes.
A serenoa repens é utilizada para:
Ela pode ajudar em casos leves, mas não substitui medicamentos convencionais quando os sintomas são moderados ou intensos.
A erva de São João (Hypericum perforatum) é estudada para:
Alguns estudos mostram eficácia semelhante a antidepressivos leves. Porém, ela pode interagir com vários medicamentos, como anticoncepcionais e antidepressivos.
Nunca deve ser usada sem orientação médica.
A valeriana é usada para:
Pode ajudar algumas pessoas, especialmente quando o problema é leve. O efeito costuma ser suave.
A cimicífuga é estudada para:
Os resultados são variados. Algumas mulheres relatam melhora, mas ela não substitui terapia hormonal quando esta é indicada.
O óleo de hortelã-pimenta tem boa evidência para:
Pode ajudar a reduzir cólicas e desconforto intestinal.
É necessário um caminho viável à credibilidade dos fitoterápicos, caso contrário, a sociedade sairá perdendo.
Conforme exposto acima, quase sempre, é economicamente inviável obter um nível forte de evidência científica para os fitoterápicos. Isto por não haver um player no mercado interessado em pagar por estudos caros, sem garantia de exclusividade comercial para compensar os custos.
Portanto, faz-se necessário, uma vias complementares de validação de seu uso que possam se somar as evidências científicas existentes. Neste contexto, o tempo de uso secular ou milenar, ampara matematicamente, através do Efeito Lindy (estatística aplicada), o uso de vários fitoterápicos. Além disso, reforça a recomendação do uso de muitos fitoterápicos o reconhecimento institucional pelo SUS e por várias universidades nacionais e internacionais.
Em benefício do paciente e a partir do exposto neste texto, pode-se inferir que existe uma boa margem de segurança para o uso de fitoterápicos tradicionais, utilizados há séculos ou milênios pela humanidade e que possuem um nível de evidência científica de moderado até moderado a forte.
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