PRÉ-DIABETES, EXCESSO DE PESO E SUA RELAÇÃO COM A PANDEMIA DE DOENÇAS CRÔNICAS
O pré-diabetes e o excesso de peso fazem parte de um mesmo problema do metabolismo, a chamada Síndrome Metabólica.
Como estas condições têm evoluído ao redor do mundo?
O número de pessoas com obesidade e diabetes vem aumentando de forma constante em praticamente todos os continentes. Essas condições fazem parte da chamada Síndrome Metabólica e estão ligadas a diversos problemas de saúde. Isto afeta significativamente tanto a qualidade de vida quanto a longevidade. Esse crescimento parece estar relacionado, sobretudo, às mudanças nos padrões alimentares e no estilo de vida ao longo das últimas décadas.
Os gráficos abaixo apresentam a evolução global do número de pessoas obesas e diabéticas ao longo do tempo.
Nota: Os pontos apresentados no gráfico são estimativas aproximadas baseadas nas seguintes fontes: NCD-RisC / The Lancet (1990–2022); Our World in Data; World Health Organization (WHO); International Diabetes Federation (IDF).
O que é o pré-diabetes?
O pré-diabetes é caracterizado por aumentos iniciais dos níveis de açúcar no sangue.
O que é a Síndrome Metabólica? Quais são as causas desta síndrome?
A Síndrome Metabólica é um conjunto de alterações que ocorrem nas reações químicas do corpo, ou seja, em nosso metabolismo, e têm como origem comum a resistência do corpo aos efeitos da insulina – hormônio responsável por controlar os níveis de açúcar no sangue.
Quando as células do corpo se tornam resistentes aos efeitos da insulina, o pâncreas aumenta sua produção deste hormônio para tentar vencer a resistência. O consequente excesso de insulina desencadeia alterações como:
- Acúmulo de gordura abdominal
- Triglicerídeos altos
- HDL baixo
- Glicemia elevada
- Pressão alta
Quanto mais desses itens presentes, maior o risco de diabetes, infarto, AVC e doença hepática. Esses fatores compartilham mecanismos como inflamação crônica, aumento de radicais livres e disfunção dos vasos sanguíneos.
Qual é o médico que lida com o pré-diabetes, o excesso de peso e a Síndrome Metabólica antes de evoluir para doenças crônicas?
O médico que atua de forma precoce e preventiva, antes do desencadeamento de doenças crônicas, é aquele com formação em Nutrologia.
O Dr. Felipe Caixeta é médico graduado pela Faculdade de Ciências Médicas de MG e tem formação em Nutrologia pela Associação Brasileira de Nutrologia (ABRAN).
Além disso, possui cerca de 20 anos experiência como clínico geral e 10 anos de atuação com suplementação nutricional.
Também possui especializações em Nutrologia Esportiva e Homeostase Hormonal.
O que é resistência à insulina, afinal?
A insulina é como uma chave que abre as portas das células para a entrada do açúcar (glicose) do sangue.
Na resistência à insulina, essa chave continua existindo, mas a “fechadura” das células passa a funcionar mal. Resultado: o açúcar tem dificuldade para entrar nas células e começa a se acumular no sangue.
Por que isso acontece?
Não há uma única causa — é uma combinação de fatores que, juntos, desgastam o sistema metabólico do corpo.
A alimentação em excesso atrapalha a insulina?
Sim. Quando a pessoa vive por muito tempo com:
- Excesso de calorias
- Muito açúcar
- Muita gordura ultraprocessada (como óleo de soja)
- Pouco movimento
Quando isso acontece, as células ficam sobrecarregadas de energia, o que leva a um acúmulo de “gorduras tóxicas” dentro delas. Esta situação atrapalha o sinal da insulina.
É como tentar usar um celular com a memória totalmente cheia — o sistema começa a travar.
A inflamação pode piorar a resposta à insulina?
A gordura localizada na barriga (gordura visceral) libera substâncias inflamatórias no corpo. Essa inflamação silenciosa prejudica o funcionamento da insulina nos tecidos.
O estresse e o sono têm influência?
Sim. Estresse crônico e poucas horas de sono elevam hormônios como o cortisol e a adrenalina, que aumentam o açúcar no sangue e dificultam a ação da insulina. Em outras palavras: dormir mal e viver muito estressado favorece o pré-diabetes.
Por que evitar o sedentarismo é tão importante?
Porque o músculo é o maior consumidor de açúcar do corpo.
Quando a pessoa é sedentária:
- o músculo usa menos glicose
- acumula mais gordura dentro das fibras
- piora a resposta do músculo aos efeitos da insulina
Já o exercício melhora a sensibilidade à insulina por até 48 horas — mesmo sem emagrecer.
O que acontece quando as células deixam de responder bem aos efeitos da insulina?
Quando as células deixam de responder bem aos efeitos da insulina, o corpo precisa produzir cada vez mais insulina para manter a glicose normal, o que leva a:
- ganho de peso, principalmente abdominal
- dificuldade de controlar a glicose
- Inflamação
- risco aumentado de diabetes, hipertensão, doenças cardiovasculares e fígado gorduroso
Não é apenas “o começo do diabetes”: é um distúrbio que afeta o corpo inteiro.
Figura – Distribuição da glicose entre o sangue e os tecidos nas situações “sem insulina”, “com insulina” e “resistência a ação da insulina” (ilustração esquemática).
Na Síndrome Metabólica, quais regiões do corpo ficam mais resistentes à insulina?
Três tecidos são os principais protagonistas:
1. Músculo — o principal vilão silencioso
O músculo normalmente capta a maior parte do açúcar depois das refeições.
Quando ele se torna resistente à insulina:
- menos açúcar entra no músculo
- mais açúcar fica circulando no sangue
- o pâncreas precisa produzir ainda mais insulina
Isso explica por que muitas pessoas têm:
- glicemia normal em jejum
- mas picos altos de açúcar após as refeições
2. Fígado — responsável pelo açúcar em jejum
À noite, enquanto dormimos, o fígado produz um pouco de glicose para manter o corpo funcionando.
A insulina normalmente diz ao fígado: “pare de produzir açúcar”.
Na resistência à insulina, o fígado não escuta bem esse comando e continua liberando glicose no sangue — mesmo quando não deveria.
É por isso que muitas pessoas têm açúcar alto em jejum.
Além disso, esse processo está muito ligado à esteatose hepática (gordura no fígado).
3. Gordura — onde começa o círculo vicioso
No tecido adiposo saudável, a insulina segura a gordura dentro das células.
Quando a gordura se torna resistente à insulina, ela passa a liberar muitos ácidos graxos no sangue. Esses ácidos graxos vão para:
- o fígado (piorando a gordura no fígado e os triglicerídeos)
- o músculo (piorando ainda mais a resistência à insulina)
Isso cria um ciclo vicioso metabólico:
Mais gordura livre → pior resistência à insulina → mais açúcar no sangue → mais insulina → mais inflamação.
O que tudo isso significa na prática?
A resistência à insulina leva a:
- Pré-diabetes e diabetes tipo 2
- Pressão alta
- Triglicerídeos elevados
- HDL baixo (colesterol “bom”)
- Maior risco de infarto e AVC
Por que os casos de Síndrome Metabólica estão aumentando?
Ocorreram mudanças na alimentação ao longo do tempo, passamos a consumir:
- Mais alimentos ricos em amido — um carboidrato formado por várias moléculas de glicose, presente no arroz, na batata e na mandioca. Com o surgimento da agricultura, as técnicas de cultivo foram selecionando cereais e tubérculos com maior teor de amido, resultando em plantas mais calóricas.
- Mais ultraprocessados, ricos em farinhas, açúcares e pobres em fibras (pães, massas, biscoitos, refrigerantes). A industrialização dos alimentos levou ao predomínio de fontes processadas baratas, com alto valor energético e pobre em fibras.
Porque alimentos ricos em farinhas, açúcares ou amido e pobres em fibras podem levar a Síndrome Metabólica?
Aqui está um gráfico comparando os níveis de insulina ao longo do dia em uma dieta rica em carboidratos refinados versus uma dieta rica em fibras (carboidratos complexos):
- A linha azul mostra os picos rápidos e elevados de insulina após refeições ricas em carboidratos refinados
- A linha vermelha mostra uma resposta mais suave e estável ao longo do dia em uma dieta rica em fibras - carboidratos complexos
Figura – Comparação da resposta de insulina ao longo do dia em diferentes padrões alimentares.
Porque alimentos ricos em farinhas, açúcares ou amido e pobres em fibras são prejudiciais:
- Refeições ricas em carboidratos refinados causam picos intensos de insulina.
- A insulina alta facilita a conversão dos açúcares em gorduras pelo fígado. Desta forma, ocorre acúmulo de gordura, especialmente na barriga.
- A insulina muito elevada causa no corpo uma resistência aos seus efeitos.
- Além disso, o excesso de gordura libera substâncias inflamatórias, que pioram a resistência à ação da insulina.
- O pâncreas tenta compensar produzindo cada vez mais insulina (hiperinsulinismo).
- Com o tempo, as células do pâncreas se esgotam, surgindo a Síndrome Metabólica, pré-diabetes e diabetes.
- Além disso, a resistência à insulina prejudica a sensação de saciedade no centro da fome do hipotálamo, favorecendo o ganho de peso.
Porque medir a insulina é importante?
- A insulina elevada aparece anos antes da glicose subir e precede o surgimento da obesidade, da diabetes e da síndrome metabólica.
- o Por isso, medir a insulina em jejum, a insulina pós-glicose e o índice HOMA (índice que mede a resistência à ação da insulina indiretamente através de cálculos utilizando a glicemia e a insulina) têm grande valor para detectar cedo problemas metabólicos e prevenir diabetes, hipertensão e doenças do coração.
Portanto, é necessária uma mudança de foco, do controle da glicemia para o controle da insulina.
Como a Síndrome Metabólica se relaciona com a hipertensão, diabetes, colesterol alto e as doenças do coração e dos vasos sanguíneos?
1. Hipertensão arterial
- A resistência à insulina e a obesidade aumentam a retenção de sódio e a atividade simpática.
- Há também disfunção endotelial, com menor produção de óxido nítrico (NO), o que reduz a vasodilatação.
- O resultado é o aumento da pressão arterial.
A hipertensão, portanto, é tanto consequência quanto componente da síndrome metabólica.
2. Diabetes Mellitus Tipo 2
- A resistência à insulina é o núcleo da síndrome metabólica.
- O pâncreas tenta compensar produzindo mais insulina (hiperinsulinemia).
- Com o tempo, ocorre exaustão das células beta pancreáticas, levando ao diabetes tipo 2.
Ou seja, a síndrome metabólica é um estágio precursor do diabetes.
3. Dislipidemias
A resistência à insulina estimula o fígado e o tecido gorduroso a aumentarem sua liberação de moléculas de gordura no sangue (triglicérides e ácidos graxos). Isto acaba causando:
- aumento dos triglicérides
- diminuição do colesterol bom (HDL)
- aumento do LDL (o tipo de colesterol mais perigoso)
Essa combinação é chamada de dislipidemia aterogênica, típica da síndrome metabólica.
4. Doenças Cardiovasculares
A combinação de pressão alta, inflamação, colesterol alterado e gordura abdominal acelera o entupimento das artérias. Ocorre rigidez arterial, inflamação vascular e acúmulo de placas ateromatosas, que aumentam o risco de:
- Infarto do miocárdio
- Doença arterial periférica
- Acidente vascular cerebral (AVC)
Por isso, a síndrome metabólica é considerada um marcador precoce de risco cardiovascular global.
Em resumo:
Quais são as possíveis consequências da resistência à insulina e da Síndrome Metabólica?
- Fígado gorduroso
- Diabetes tipo 2
- Hipertensão
- Pode evoluir para Infarto e AVC
- Risco aumentado de alguns tipos de câncer (ex.: mama, cólon, endométrio)
- Síndrome dos ovários policísticos (SOP): nas mulheres, a resistência à insulina aumenta a produção de andrógenos pelos ovários, contribuindo para irregularidade menstrual e infertilidade.
- Redução da testosterona em homens: o tecido gorduroso possui uma enzima que promove a conversão de testosterona em estrógeno.
Em resumo: a resistência à insulina é um fator central para o desenvolvimento de diabetes tipo 2, doenças cardiovasculares, fígado gorduroso e distúrbios hormonais.
Como é feito o diagnóstico da Síndrome Metabólica?
São usados critérios como os da Federação Internacional de Diabetes (IDF) ou do Programa Nacional de Educação sobre Colesterol (NCEP) dos Estados Unidos.
O diagnóstico é feito quando há três ou mais dos fatores abaixo:
1. Circunferência abdominal aumentada:
⇒ Homens: > 102 cm
⇒ Mulheres: > 88cm
2. Triglicérides elevados
⇒ acima de 150 mg/dL
3. HDL (“colesterol bom”) baixo
⇒ Homens: < 40 mg/dL
⇒ Mulheres: < 50 mg/dL
4. Pressão arterial elevada
⇒ Maior ou igual a 130/85 mmHg ou uso de medicamento anti-hipertensivo
5. Glicemia de jejum elevada
⇒ Maior ou igual a 100 mg/dL ou uso de medicação para diabetes
Quais são os valores de referência da insulina em jejum (insulina basal) e qual é sua relação com o índice de massa corporal (IMC)?
1. Valores de referência da insulina basal em jejum:
Observação: Esses intervalos são frequentemente utilizados na prática clínica funcional e metabólica para estimar sensibilidade à insulina, mas a interpretação deve considerar o contexto clínico e outros fatores metabólicos.
2. Existe uma relação entre o peso corporal (medido pelo IMC) e os níveis de insulina em jejum. Por isso, alguns laboratórios determinam a faixa de normalidade da insulina de acordo com o IMC do paciente.
Este fato sugere que quanto menores forem os níveis de insulina, menor será a tendência ao sobrepeso e a obesidade.
O que é o HOMA-IR e como ele é calculado?
Para uma avaliação mais precisa da resistência à insulina, é importante calcular o HOMA-IR:
O HOMA-IR (Homeostasis Model Assessment of Insulin Resistance) é um índice que estima a resistência à insulina a partir de dois exames simples: glicemia de jejum e insulina de jejum.
Ele não mede diretamente, mas fornece uma boa estimativa clínica de quão difícil está sendo para o corpo usar a insulina de forma adequada.
Como é calculado o HOMA-IR:
Como interpretar o resultado (valores aproximados):
Os valores podem mudar de acordo com o país, laboratório e população estudada, mas segue como referência prática:
Em práticas clínicas, muitos médicos consideram ≥ 2,5 como suspeito de resistência à insulina.
- ⇒ Normal: HOMA-IR < 2
- ⇒ Resistência insulínica: HOMA-IR ≥ 2,5 (em adultos)
O que o HOMA-IR indica?
Um valor elevado sugere:
Resistência à insulina
- ⇒ Maior risco de pré-diabetes
- ⇒ Maior risco de diabetes tipo 2
- ⇒ Maior risco cardiovascular
- ⇒ Facilidade para ganho de gordura, especialmente abdominal
Exemplo rápido
Glicemia de jejum = 100 mg/dL
Insulina de jejum = 12 µU/mL
HOMA−IR= 2,96
→ Indica resistência à insulina moderada.
É possível reverter o hiperinsulinismo e a Síndrome Metabólica? Como é feito o tratamento?
- → Em primeiro lugar, é necessário fazer um monitoramento regular dos níveis de insulina e dos valores do índice HOMA, como forma de intervenção precoce nos pacientes com níveis elevados.
- → Foi verificado em alguns trabalhos que, após mudanças nos hábitos de vida, é possível uma diminuição nos níveis de insulina e na resistência à insulina.
- → Reduzir carboidratos simples e ultraprocessados:
-
-
- • Aumentar fibras e alimentos naturais
- • Praticar atividade física
- • Dormir bem e controlar estresse
- • Reduzir os alimentos calóricos para diminuir a gordura abdominal
-
- → Além disso, podemos lançar mão de medicamentos para perda de peso e suplementos nutricionais para melhorar o perfil metabólico.
- → Pacientes com síndrome metabólica que evoluem para diabetes, hipertensão, dislipidemias ou cardiopatias também devem usar medicamentos para controle destas doenças.
Dá para melhorar a resistência à insulina?
Sim — e bastante.
As três medidas mais eficazes são:
- ⇒ Perder 5–10% do peso (quando há sobrepeso ou obesidade).
- ⇒ Fazer exercício regular (aeróbico + força).
- ⇒ Melhorar a alimentação (menos ultraprocessados, mais fibras, menos açúcar).
Em alguns casos, o médico pode indicar medicamentos como Metformina ou tratamentos para obesidade.
Mensagem final
A resistência à insulina não é um problema do pâncreas — é principalmente um problema do estilo de vida moderno. Cuidar da alimentação, do movimento, do sono e do estresse é a forma mais poderosa de prevenir os problemas desta síndrome, como a diabetes e doenças do coração.
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MASSA MUSCULAR: PICO AOS 30 ANOS, MÚSCULOS COMO ÓRGÃO PROTETOR E A IMPORTÂNCIA DOS EXERCÍCIOS FÍSICOS
Como a massa muscular se comporta ao longo da vida e por que ela é essencial para um envelhecimento saudável?
Quando pensamos em saúde, é comum focar em peso, gordura corporal ou exames laboratoriais. No entanto, um componente frequentemente negligenciado — e absolutamente central — é a massa muscular. Ela não é importante apenas para força ou estética: trata-se de um verdadeiro órgão metabólico, essencial para a funcionalidade, a autonomia e a longevidade.

Mas afinal, como a massa muscular evolui ao longo da vida? E por que preservá-la é tão importante com o passar dos anos?
Como a massa muscular se desenvolve na infância?
Na infância, a quantidade absoluta de massa muscular ainda é pequena, mas cresce de forma contínua e proporcional ao desenvolvimento corporal. Esse crescimento depende principalmente de:
- Alimentação adequada
- Atividade física espontânea
- Crescimento ósseo e hormonal fisiológico
Nesta fase, a perda de massa muscular não é esperada e, quando ocorre, costuma indicar alguma condição patológica.
O que acontece com a massa muscular na adolescência?
A adolescência é o período de maior ganho de massa muscular da vida. As mudanças hormonais, especialmente o aumento de testosterona, GH e IGF-1, promovem um crescimento expressivo do tecido muscular.
É nessa fase que se constrói o chamado pico de massa muscular, que terá impacto direto na saúde nas décadas seguintes. Homens, em geral, acumulam maior quantidade absoluta de músculo, mas esse processo também é fundamental para mulheres.
Quando atingimos o pico de massa muscular?
O pico de massa muscular ocorre normalmente entre os 20 e 30 anos de idade. A partir desse ponto, desde que não haja estímulos adequados (como exercício resistido), o organismo tende a entrar em um processo lento e progressivo de perda muscular.
Esse pico funciona como uma espécie de “reserva funcional” para o envelhecimento.
A partir de que idade começamos a perder massa muscular?
A perda de massa muscular pode começar de forma discreta a partir dos 30–40 anos, mesmo em pessoas saudáveis. Em média, estima-se uma redução de cerca de 0,5 a 1% ao ano, que pode ser acelerada por:
- Sedentarismo
- Dietas muito restritivas
- Privação de sono
- Doenças inflamatórias
- Alterações hormonais
Embora muitas vezes imperceptível nesse estágio, essa perda já tem impacto metabólico relevante.
Qual é o médico que atua ajudando na queima de gordura e no emagrecimento?
O médico que atua favorecendo o emagrecimento é aquele com formação em Nutrologia.
O Dr. Felipe Caixeta é médico graduado pela Faculdade de Ciências Médicas de MG e tem formação em Nutrologia pela Associação Brasileira de Nutrologia (ABRAN).
Além disso, possui 18 anos de experiência como clínico geral e 10 anos de atuação com suplementação nutricional.
Também possui especializações em Nutrologia Esportiva e Homeostase Hormonal.

O que é sarcopenia e por que ela preocupa no envelhecimento?
A partir dos 60 anos, a perda muscular tende a se intensificar, podendo chegar a 1–2% ao ano. Quando essa perda envolve não apenas a quantidade, mas também a força e a função muscular, chamamos de sarcopenia.
A sarcopenia está associada a:
- Maior risco de quedas e fraturas
- Perda de independência funcional
- Maior tempo de internação hospitalar
- Aumento da mortalidade
Trata-se hoje de uma condição reconhecida como fator prognóstico independente, inclusive em pessoas com peso corporal normal ou elevado.
Por que o músculo é tão importante para o metabolismo?
O músculo esquelético é o principal responsável pela captação de glicose mediada pela insulina, respondendo por até 80% do consumo de glicose após as refeições. Assim, a redução da massa muscular favorece:
- Resistência à insulina
- Diabetes tipo 2
- Inflamação crônica
- Piora do perfil lipídico
Além disso, o músculo atua como um importante reservatório de proteínas em situações de estresse, como infecções, cirurgias ou internações.
Porque é importante para saúde a prática de exercícios?
Pouca gordura corporal (especialmente a visceral) + músculos fortes e ativos = corpo que funciona melhor, envelhece melhor e adoece menos. Veja o porquê a seguir:
Pouca gordura corporal: menos inflamação e menos doenças
Nem toda gordura é vilã, mas excesso de gordura, principalmente a visceral (a que envolve os órgãos), é metabolicamente ativa e problemática.
Ela:
- Produz inflamação crônica (citocinas inflamatórias)
- Aumenta resistência à insulina
- Eleva risco de diabetes tipo 2, hipertensão, infarto e AVC
- Está associada a pior saúde cerebral e maior risco de demência
- Altera hormônios (leptina, insulina, cortisol, testosterona/estrogênio)
Em conclusão, excesso de gordura “confunde” o metabolismo e mantém o corpo em modo de doença silenciosa.
Músculos: um órgão metabólico esquecido
Músculo não é só estética ou força — ele funciona como um órgão endócrino e metabólico.
Quando você tem músculos ativos:
- Capta glicose sem precisar de tanta insulina
- Aumenta o gasto energético basal
- Produz mioquinas (substâncias anti-inflamatórias e protetoras)
- Protege ossos e articulações
- Retarda a sarcopenia e a perda funcional com a idade
Quanto mais músculo funcional, menor a chance de desenvolver diabetes e síndrome metabólica, mesmo com a idade avançando.

A relação direta entre gordura, músculo e insulina
Pense assim:
- Gordura em excesso → resistência à insulina
- Músculo ativo → sensibilidade à insulina
Ou seja:
O músculo “limpa” o açúcar do sangue
A gordura visceral “atrapalha” esse processo
Por isso duas pessoas com o mesmo peso podem ter riscos completamente diferentes — composição corporal importa mais que a balança.
Envelhecer bem depende disso
Exercícios de endurance combinados com uma alimentação balanceada levam a pouca gordura corporal e músculos fortes:
- Mais mobilidade e autonomia
- Menor risco de quedas, fraturas e declínio cognitivo
- Menos internações e dependência
- Maior expectativa de vida com qualidade
Em resumo: gordura demais adoece, músculo ativo protege. Ou ainda, músculo é remédio, gordura visceral é fator de risco.
O músculo ativo é um órgão endócrino?
Quando você se movimenta — especialmente com exercícios aeróbicos ou musculação — seus músculos não servem apenas para gerar força. Eles também liberam moléculas especiais chamadas mioquinas.
O que são mioquinas?
São substâncias produzidas pelo músculo durante a contração. Elas agem como pequenas “mensagens químicas” que circulam pelo corpo.
Por que ajudam contra a inflamação?
Algumas dessas mioquinas têm efeito anti-inflamatório natural. Elas:
- Reduzem a inflamação crônica (aquela inflamação leve e constante relacionada a dores, doenças metabólicas e envelhecimento);
- Melhoram a sensibilidade à insulina;
- Ajudam na recuperação de tecidos;
- Protegem o sistema imunológico.
Exemplos importantes de mioquinas:
- IL-6 “do exercício” – ao contrário da IL-6 inflamatória produzida em infecções, a IL-6 liberada durante o exercício diminui a inflamação e estimula o metabolismo.
- IL-10 e IL-1ra – moléculas que combatem processos inflamatórios.
- Irisina – ajuda na queima de gordura e tem efeito reparador.
Em resumo:
Mexer o corpo faz o músculo liberar substâncias que “apagam incêndios internos”.
Quanto mais você usa seus músculos, mais o seu corpo fica protegido contra inflamações.
Como a massa muscular influencia a qualidade de vida?
Manter uma boa massa muscular está diretamente relacionado à capacidade de:
- Caminhar com segurança
- Subir escadas
- Levantar-se da cadeira
- Manter o equilíbrio
- Preservar a velocidade da marcha
Esses fatores determinam a autonomia funcional, especialmente na população idosa, e estão fortemente ligados à qualidade de vida.
Preservar massa muscular ajuda a viver mais e melhor?
Sim. Diversos estudos mostram que a baixa massa muscular está associada a:
- Maior mortalidade cardiovascular
- Pior prognóstico em doenças crônicas e câncer
- Maior risco de dependência funcional
- Redução da expectativa de vida saudável (healthspan)
Preservar músculo não significa apenas viver mais, mas viver melhor, com mais independência e menor risco de doenças.
Qual é a principal mensagem sobre massa muscular e envelhecimento?
A massa muscular construída ao longo da juventude funciona como uma poupança biológica. Quanto maior essa reserva, maior a capacidade do organismo de enfrentar o envelhecimento, doenças e situações de estresse fisiológico.
Exercícios aeróbicos ou resistidos: qual a diferença e qual é melhor para a saúde?
Uma dúvida muito comum entre pacientes é: exercício aeróbico é melhor que musculação?
A resposta não é tão simples — e entender as diferenças ajuda a fazer escolhas mais eficazes para a saúde.
O que são exercícios aeróbicos?
Os exercícios aeróbicos são atividades contínuas que envolvem grandes grupos musculares por um período prolongado, com aumento da frequência cardíaca e da respiração.
Em outras palavras, é a habilidade do corpo de sustentar o exercício por mais tempo sem fadiga excessiva.
- Duração moderada a longa
- Intensidade baixa a moderada
- Predomínio do metabolismo aeróbico (aquele que gera energia com uso de oxigênio)
Exemplos comuns incluem:
- Caminhada rápida
- Corrida
- Ciclismo
- Natação
- Dança
Quais são os principais benefícios dos exercícios aeróbicos?
Os exercícios aeróbicos oferecem benefícios importantes, especialmente para o sistema cardiovascular:
- Melhora da saúde do coração e da circulação
- Aumento do gasto calórico durante a atividade
- Auxílio no controle do peso corporal
- Melhora da capacidade cardiorrespiratória
- Redução do estresse e melhora do humor
- Contribuição para o controle da glicemia e da pressão arterial

O que são exercícios resistidos?
Os exercícios resistidos são aqueles em que os músculos trabalham contra algum tipo de resistência, como pesos, elásticos ou o próprio peso do corpo.
Exemplos incluem:
- Musculação
- Treinamento funcional
- Exercícios com elásticos
- Exercícios com peso corporal (agachamentos, flexões, pranchas)
Quais são os principais benefícios dos exercícios resistidos?
Os exercícios de força são fundamentais para a saúde metabólica e funcional:
- Aumento ou preservação da massa muscular
- Fortalecimento dos ossos, ajudando a prevenir osteopenia e osteoporose
- Aumento do metabolismo basal (gasto calórico em repouso)
- Melhora da sensibilidade à insulina
- Melhora da postura, do equilíbrio e da autonomia funcional
- Redução do risco de quedas, especialmente com o envelhecimento
Como se dá o gasto energético nos diferentes tipos de exercícios?
As principais fontes de energia do organismo são: ATP, creatina fosfato, carboidratos (glicose e glicogênio), gorduras e proteínas (ver post “Dieta Low Carb, as 5 fontes de energia do corpo humano e como calibrá-lo para queima de gordura”).
Na prática de esportes, a proporção de utilização de cada fonte de energia do corpo varia conforme:
- nível de treinamento do indivíduo
- intensidade da carga
- número de repetições
- tempo sob tensão
- intervalo de descanso
Por isso, as imagens abaixo são exemplos ilustrativos e os percentuais de uso de cada fonte de energia são aproximados
A musculação se enquadra como exercício de “explosão”, ou seja, de alta intensidade e curta duração. A maratona por sua vez se encontra entre os exercícios aeróbicos, sendo moderados e prolongados. Na primeira há predomínio de gasto energético utilizando ATP, creatina e glicose. Na segunda, predomina o uso de gordura.
Como calibrar a atividade física para o máximo de queima de gordura?
Seguem orientações, baseadas em evidências, sobre como favorecer o uso de gordura como combustível:
- Priorizar exercícios de endurance (aeróbicos moderados)
- Sempre fazer treinos acima de 30 minutos
- Praticar exercícios em jejum leve
- Treinar a flexibilidade metabólica (capacidade do corpo de alternar entre a queima de carboidratos ou gorduras)
- Melhorar a capacidade mitocondrial
Priorizar exercícios de endurance (aeróbicos moderados)
Intensidades entre 60–75% da frequência cardíaca máxima (FCmáx) aumentam o uso de gordura. Em intensidades altas (>80% FCmáx), o corpo depende mais do glicogênio muscular.
Como calcular a frequência cardíaca máxima para treinar visando à queima de gordura?
A frequência cardíaca máxima (FCmáx) é o número mais alto de batimentos por minuto (bpm) que o coração pode atingir durante o esforço máximo. Ela serve como referência para calcular zonas de treinamento (queima de gordura, resistência, desempenho, etc.).
Fórmula baseada em estudos populacionais para estimar a FCmáx
- Homens: FCmáx = 208 − (0,7 × idade)
- Mulheres: FCmáx = 206 − (0,88 × idade)
Zona de queima de gordura
A zona de queima de gordura ocorre normalmente entre 60% e 75% da FCmáx. Nessa faixa, o corpo utiliza maior proporção de gordura como combustível comparado aos carboidratos.
Frequência ideal para queima de gordura = FCmáx × (0,6 a 0,75)
Exemplo prático
Vamos supor um homem de 35 anos:
FCmáx = 208 − (0,7 × 35) = 183,5 bpm
Zona de queima de gordura:
- 60% → 0,60 × 183,5 = 110 bpm
- 75% → 0,75 × 183,5 = 138 bpm
Zona alvo: entre 110 e 138 bpm
Dicas para aplicar na prática
- Não é difícil identificar a frequência cardíaca ideal apenas prestando atenção na respiração. Deve-se permanecer levemente ofegante. Idealmente, use um relógio com monitor de frequência cardíaca (ou cinta peitoral).
- Treinos nessa zona devem ser aeróbicos e sustentáveis: caminhada rápida, pedal leve, corrida leve, elíptico, etc.
- Para melhor adaptação metabólica, combine:
- treinos contínuos moderados (zona de gordura)
- com sessões curtas de alta intensidade (HIIT), que aumentam a eficiência mitocondrial e o uso de gordura a longo prazo.
Como identificar a frequência cardíaca ideal para queima de gordura nos exercícios de endurance?
- Durante o exercício, você pode usar o chamado “teste da fala”:

| Teste de fala durante o exercício: estima a frequência cardíaca para queima de gordura | |||
| Sensação respiratória | Fala | Faixa provável | Fonte de energia predominante |
| Respiração confortável | Consegue conversar normalmente | <60% FCmáx | Glicose e gordura em equilíbrio |
| Levemente ofegante | Consegue falar frases curtas, mas não cantar | 60–75% FCmáx | Maior uso de gordura |
| Muito ofegante | Dificuldade para falar mais que poucas palavras | >80% FCmáx | Predomínio de glicose (anaeróbico) |
Sempre fazer treinos acima de 20-30 minutos
- A oxidação de gordura se torna predominante após 20–30 minutos de exercício contínuo.
- Sessões mais longas favorecem adaptações mitocondriais e uso de gordura.
Praticar exercícios em jejum leve
- Caminhadas ou treinos leves em jejum podem aumentar a capacidade do corpo de oxidar gordura.
- Evite treinos intensos prolongados em jejum se ainda não estiver adaptado.
- Fazer treinos leves a moderados em jejum ou após refeições com poucos carboidratos.
- Isso força o corpo a recorrer mais a gordura (ácidos graxos) como combustível.
Chamamos isso de “train low” (treinar com baixo glicogênio).
Treinar a flexibilidade metabólica
- Combine dias de treinos em jejum e dias com reposição de carboidratos.
- Isso ensina o corpo a alternar entre glicose e gordura conforme a necessidade.
Melhorar a capacidade mitocondrial
- Exercícios de endurance (atividades físicas de longa duração e intensidade leve a moderada) e treinos intervalados (HIIT) aumentam o número e eficiência das mitocôndrias — o que eleva a taxa de oxidação de gordura.
Exercícios aeróbicos ou musculação: qual é melhor para emagrecer?
Ambos ajudam no emagrecimento, mas atuam de formas diferentes:
- Exercícios aeróbicos promovem maior gasto calórico imediato
- Exercícios resistidos ajudam a preservar massa muscular e manter o metabolismo ativo
A melhor estratégia para emagrecimento saudável é combinar os dois tipos de exercício, evitando perda muscular e favorecendo resultados mais duradouros.
Qual é a melhor estratégia para a saúde a longo prazo?
Do ponto de vista médico, a combinação de exercícios aeróbicos e resistidos é a abordagem mais completa.
Essa combinação:
- Protege o coração
- Mantém músculos e ossos fortes
- Melhora a saúde metabólica
- Contribui para maior qualidade de vida e longevidade
Conclusão: é preciso escolher apenas um tipo de exercício?
Não. Exercícios aeróbicos e resistidos não competem entre si — eles se complementam.
👉 Aeróbicos cuidam do coração e do condicionamento
👉 Resistidos cuidam dos músculos, ossos e metabolismo
A união dos dois é a melhor escolha para a saúde.
Leia também:
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https://drfelipecaixeta.com.br/dieta-low-carb-queima-de-gordura
https://drfelipecaixeta.com.br/emagrecimento-novos-medicamentos
https://drfelipecaixeta.com.br/jejum-intermitente
https://drfelipecaixeta.com.br/fitoterapicos
https://www.atlantichealth.org/health-articles/healthy-living/muscle-mass
EMAGRECIMENTO: 7 VANTAGENS DOS NOVOS MEDICAMENTOS PARA PERDER PESO EM RELAÇÃO AOS ANTIGOS TRATAMENTOS
O emagrecimento saudável é hoje um dos maiores desafios de saúde pública. Vem crescendo em todo o mundo o número de pessoas com excesso de peso. A associação entre diversos problemas de saúde e a obesidade tem se confirmado a cada dia.
Para combater os malefícios desta condição, durante muitos anos, os medicamentos mais usados para emagrecer foram alguns estimulantes do sistema nervoso central. Esses tratamentos atuavam no cérebro para reduzir o apetite, mas apresentavam limitações importantes de segurança e eficácia. Além disso, efeitos indesejáveis como insônia, ansiedade e aumento de pressão não eram raros.

Figura: “canetas emagrecedoras”
Nos últimos anos, surgiram alguns novos medicamentos para o emagrecimento, estes fármacos são classificados como análogos de GLP-1 ou como agonistas duplos de GLP-1 e GIP. Eles trouxeram uma nova abordagem para a perda de peso, mais moderna e segura.
Qual é o médico que atua no emagrecimento?
O médico que atua favorecendo o emagrecimento e a queima de gordura é aquele com formação em Nutrologia.
O Dr. Felipe Caixeta é médico graduado pela Faculdade de Ciências Médicas de MG e tem formação em Nutrologia pela Associação Brasileira de Nutrologia (ABRAN).
Além disso, possui cerca de 20 anos de experiência como clínico geral e 10 anos de atuação com suplementação nutricional.
Também possui especializações em Nutrologia Esportiva e Homeostase Hormonal.

1. Promovem o emagrecimento ao atuar na causa biológica da obesidade
Os medicamentos antigos promoviam o emagrecimento principalmente por estímulo artificial do sistema nervoso central. Já os novos medicamentos atuam imitando hormônios naturais do intestino, responsáveis por regular:
→ fome e saciedade
→ quantidade de alimentos ingeridos
→ controle da glicose no sangue
→ comportamento alimentar
Isso torna o emagrecimento mais fisiológico, ajudando o corpo a regular a fome de forma natural, e não apenas pela força de vontade.
2. Levam ao emagrecimento com maior saciedade e menos compulsão alimentar
Um dos grandes diferenciais dos novos medicamentos para o emagrecimento é o aumento da saciedade. Eles ajudam a:
→ prolongar a sensação de estômago cheio
→ reduzir a vontade de beliscar
→ diminuir episódios de compulsão alimentar
Diferente dos tratamentos antigos, muitas pessoas conseguem emagrecer com menos sofrimento e menos sensação de privação.
3. Menor risco cardiovascular
Os medicamentos para emagrecer estimulantes do Sistema Nervoso Central estão associados a efeitos como:
→ aumento da pressão arterial
→ aceleração dos batimentos cardíacos
→ maior risco de arritmias

Por esse motivo, muitos desses medicamentos tiveram seu uso restringido ou proibido em vários países.
Os novos medicamentos para o emagrecimento não estimulam o sistema nervoso central e ainda podem trazer benefícios adicionais, como melhora da pressão arterial e do perfil do colesterol, especialmente em pessoas com diabetes.
4. Emagrecimento com benefícios metabólicos adicionais
Além da perda de peso, os novos medicamentos contribuem para a melhora de outras condições frequentemente associadas à obesidade, como:
→ diabetes tipo 2
→ resistência à insulina
→ gordura no fígado (esteatose hepática)
→ alterações do colesterol
Os medicamentos antigos, em geral, promoviam apenas o emagrecimento, sem impacto positivo consistente na saúde metabólica.
5. Emagrecimento com menor risco de dependência
Os derivados de anfetaminas atuam em áreas do cérebro relacionadas à excitação e recompensa, o que aumenta o risco de:
→ dependência
→ tolerância
→ uso inadequado
Os novos medicamentos para o emagrecimento não causam dependência química, tornando o tratamento mais seguro, especialmente para uso prolongado e acompanhamento médico contínuo.
6. Permitem emagrecer de forma mais consistente e sustentável a longo prazo
Com os tratamentos antigos, era comum observar um emagrecimento rápido seguido de:
→ interrupção do uso por efeitos colaterais
→ dificuldade de manter os resultados
→ recuperação do peso após a suspensão do medicamento
Os novos medicamentos favorecem um emagrecimento gradual, contínuo e mais sustentável, principalmente quando associados a mudanças de estilo de vida.
7. Maior previsibilidade e controle do tratamento
Outra vantagem importante é o maior controle médico do tratamento. Os novos medicamentos permitem:
→ aumento gradual das doses
→ melhor adaptação do organismo
→ efeitos colaterais mais previsíveis e geralmente transitórios
Isso reduz abandonos precoces e torna o processo de emagrecimento mais seguro e personalizado.
Por que os novos medicamentos para o emagrecimento são vistos como melhores e mais seguros do que os antigos?
Os novos medicamentos para emagrecer, os chamados análogos de GLP-1, são considerados mais vantajosos que os antigos medicamentos, estimulantes do Sistema Nervoso Central, porque oferecem uma abordagem de perda de peso mais segura e fisiológica, com mecanismos de ação mais específicos e menores riscos de efeitos colaterais graves, especialmente cardiovasculares e psiquiátricos.
Quadro comparativo com as principais vantagens dos novos medicamentos para o emagrecimento em relação aos antigos medicamentos estimulantes:
A seguir, a comparação em detalhes:
| Característica | NOVOS MEDICAMENTOS (“Canetas Emagrecedoras”) | MEDICAMENTOS ANTIGOS (Estimulantes do Sistema Nervoso Central) |
| Mecanismo de ação | Imita o hormônio intestinal GLP-1 para aumentar a saciedade e retardar o esvaziamento do estômago, além de efeitos benéficos sobre a glicemia. | Estimulam o sistema nervoso central para suprimir o apetite. |
| Segurança cardiovascular | Benefícios cardiovasculares, não aumentam a frequência cardíaca ou a pressão arterial. | Podem elevar a pressão. Aumentam o risco de eventos cardiovasculares graves, como infarto e AVC. |
| Efeitos colaterais | Náuseas, diarreia ou intestino preso. Podem ocorrer dor de cabeça e reações no local da injeção. | Insônia, boca seca, ansiedade, nervosismo e aumento da frequência cardíaca e da pressão arterial. |
| Risco de dependência | Não apresentam potencial de abuso ou dependência. | Possuem risco de abuso e dependência |
| Manejo da glicemia | Oferecem controle dos níveis de açúcar no sangue. | Não oferecem benefícios para o controle do açúcar no sangue. |
| Regulamentação | São aprovados e amplamente utilizados para o tratamento da obesidade. | O uso foi restrito ou proibido em muitos países devido aos riscos à saúde. |
Quais são os objetivos de um protocolo para o emagrecimento utilizando as “canetas emagrecedoras”?
Promover perda de peso e de gordura corporal significativa com preservação de massa muscular, função metabólica e segurança, evitando perda importante de músculos (sarcopenia), queda excessiva do metabolismo e efeitos adversos.
Quais pacientes têm indicação de uso das “canetas emagrecedoras”?
Pacientes com história de:
→ Obesidade
→ Sobrepeso com doenças associadas – diabetes, pressão alta, colesterol elevado, dificuldade respiratória enquanto dorme (apneia do sono), acúmulo de gordura no fígado (esteatose hepática), ovários policísticos, etc.
→ Falha documentada de estratégias não farmacológicas isoladas
O que fazer para ter bons resultados utilizando os novos medicamentos para o emagrecimento?
Medicamentos para o emagrecimento não substituem hábitos saudáveis. Os melhores resultados acontecem quando o tratamento é associado a:
→ alimentação equilibrada
→ prática regular de atividade física
→ sono de qualidade
→ acompanhamento médico
Os novos medicamentos se destacam porque facilitam o emagrecimento, tornando essas mudanças mais viáveis para muitas pessoas.
Como os novos medicamentos para o emagrecimento agem no corpo?
Os análogos de GLP-1 imitam ou prolongam a ação do hormônio GLP-1, que é secretado por células específicas do intestino em resposta à alimentação.
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Os principais efeitos são:
→ Estimulação da secreção de insulina (hormônio que controla o açúcar no sangue) pelo pâncreas de forma dependente de glicose (ou seja: quando o açúcar no sangue está elevado, há mais insulina).
→ Bloqueio da secreção de glucagon (hormônio também secretado pelo pâncreas) o que reduz a produção de açúcar pelo fígado.
→ Atraso no esvaziamento do estômago, o que atenua os picos de açúcar no sangue após as refeições e favorece a sensação de saciedade.
→ Estímulo de centros de saciedade no cérebro com redução de apetite e ingestão alimentar.
→ Efeitos benéficos sobre o metabolismo das gorduras, evitando a formação de placas nos vasos sanguíneos e protegendo o coração.
Em resumo: ao imitar o efeito do GLP-1 ou prolongar sua ação, esses fármacos ajudam a baixar o açúcar no sangue, reduzir o apetite e promover perda de peso ou controle de peso, além de potenciais benefícios para os vasos sanguíneos e para o coração.
Como os novos medicamentos para o emagrecimento devem ser utilizados?
Forma de usar:
→ Injeção subcutânea (logo abaixo da pele), diária ou semanal.
→ Geralmente, a dose é aumentada gradualmente para minimizar efeitos adversos no sistema digestivo.
→ É importante seguir as instruções de armazenamento, local de aplicação, rotação de sítios de injeção, etc.
→ O tratamento exige acompanhamento do peso corporal, função dos rins, do fígado e outros parâmetros clínicos.
Quais são os efeitos colaterais mais comuns dos análogos do GLP-1? Existem pontos de atenção?
Efeitos colaterais mais comuns
Estão principalmente relacionados ao sistema digestivo e costumam aparecer nas primeiras semanas de uso:
1. Sistema digestivo (os mais frequentes)
→ Enjoo (muito comum, em até 40–50% dos pacientes)
→ Vômitos
→ Diarreia
→ Constipação (prisão de ventre)
→ Sensação de estômago cheio ou abdome “estufado”
Obs.: Esses efeitos tendem a diminuir com o tempo ou com aumento gradual da dose.
2. Outros efeitos possíveis
→ Dor abdominal leve ou desconforto na “boca do estômago”
→ Dor de cabeça
→ Cansaço leve
→ Leve aumento da frequência cardíaca (em alguns casos)
Efeitos adversos menos comuns
→ Cálculos biliares: associados à rápida perda de peso. Risco estimado em grandes estudos cerca de 0,3% ao ano acima do esperado.
→ Pancreatite aguda: casos raros, grandes estudos mostraram que ocorre em cerca de 0,1 – 0,3% dos pacientes ao longo de alguns anos de uso. A orientação é suspender o uso se houver dor abdominal persistente, forte e acompanhada de vômitos.
→ Piora de retinopatia já existente: Estudos sugerem que cerca de 2–3 % dos pacientes podem ter piora temporária da retinopatia associada ao diabetes após iniciar o tratamento. Costuma ser equivalente ao que ocorre com outras terapias antidiabéticas. A piora pode estar ligada à redução rápida da glicemia mais do que à droga em si.
→ Hipoglicemia: incomum isoladamente, mas pode ocorrer se associada a alguns medicamentos para diabetes.
Quais são as principais contraindicações dos análogos do GLP-1?
→ História pessoal ou familiar de tumor de tireoide
→ Pancreatite prévia (relativa – usar com cautela)
→ Síndrome que leva a múltiplos nódulos nos órgãos produtores de hormônios do corpo – neoplasia endócrina múltipla tipo 2 (MEN2)
→ Gravidez e lactação (não há segurança estabelecida)
→ Insuficiência gastrointestinal grave (quando estômago e/ou intestino têm dificuldade séria de funcionar)
→ Alergia ao medicamento ou seus excipientes
No processo de emagrecimento, quais cuidados devemos ter em relação à preservação da massa muscular?
Exames de composição corporal mostram que:
→ Em indivíduos sem estratégia proteica e sem treinamento resistido, a proporção de perda muscular tende a ser maior.
→ Aproximadamente 20–40% da perda de peso total pode corresponder à massa livre de gordura.
Isso não é exclusivo dos análogos de GLP-1 — ocorre com qualquer emagrecimento rápido e/ou hipocalórico importante (cirurgia bariátrica, dietas VLCD, doenças catabólicas).
Quais são os pacientes com risco aumentado para perda de massa muscular?
Considerar alto risco se presente mais de um fator abaixo:
→ Idade ≥ 60 anos
→ Sedentarismo
→ Dieta pobre em proteínas
→ História de emagrecimentos repetidos
→ Baixa massa magra verificada em exame de composição corporal
→ Doença espoliante ligada a condições crônicas graves como câncer avançado ou AIDS
Pacientes de alto risco exigem protocolo mais conservador e acompanhamento mais próximo.
Quais são as estratégias para impedir (ou minimizar) a perda de massa muscular que tende a ocorrer junto com o emagrecimento?
1. Ingestão proteica adequada (fundamental)
→ Fracionar em 3–4 refeições ricas em proteínas
→ O uso de suplementação proteica é frequentemente necessária
2. Treinamento resistido (evidência forte)
→ Priorizar grandes grupamentos musculares
→ Intensidade moderada a alta
3. Velocidade de perda de peso
→ Emagrecimentos muito rápidos aumentam a perda muscular
→ Evitar dietas muito restritivas
→ Ajustar dose e progressão do fármaco para evitar falta de apetite extrema
5. Consumo de nutrientes associados à função muscular
→ Potencial efeito contra a degradação de proteínas
6. Estratégias avançadas (casos selecionados)
→ Períodos de manutenção calórica (“diet breaks”)
→ Ajustes temporários de dose
→ Avaliar eixo hormonal em homens e mulheres de risco
→ Em contextos específicos, associação com treino supervisionado

Qual é a preocupação em relação ao uso dos novos medicamentos para o emagrecimento repetidas vezes?
Em ciclos repetidos de emagrecimento sem preservação muscular, há risco de:
→ Perda muscular importante e fraqueza (sarcopenia)
→ Dificuldade progressiva de manutenção do peso (menos músculo = metabolismo mais baixo)
→ Magreza com alto percentual de gordura – “magro metabolicamente obeso”
Quais medidas podem ser tomadas para diminuir a perda muscular durante o emagrecimento?
→ Treinamento resistido (musculação, Pilates, fisioterapia, etc.)
→ Monitorização de composição corporal
→ O uso repetido não é necessariamente prejudicial se houver estratégia nutricional adequada
Portanto, o risco não está no fármaco em si, mas no modelo de prescrição.
No fim do tratamento para emagrecimento com os análogos do GLP-1 e GLP-1/GIP, quais cuidados o paciente deve ter?
→ A perda de peso com esses medicamentos exige também mudanças no estilo de vida (alimentação, atividade física) para maximizar e manter o benefício.
→ Deve-se comunicar ao paciente que se o medicamento for descontinuado, os efeitos metabólicos/ponderais tendem a regredir.
→ Pode ser suspenso gradualmente, não deve ser interrompido abruptamente para evitar efeito rebote de apetite.
Quais são as principais diferenças entre os análogos de GLP-1 administrados por oral e por via injetável?
1. Indicação aprovada no Brasil
→ A medicação oral está aprovada e registrada na Anvisa somente para diabetes tipo 2.
→ A medicação oral pode ser usada off-label (fora da indicação da bula aprovada pela Anvisa) para perda de peso sob orientação médica.
2. Administração e absorção
→ Ambas as formas — oral e subcutânea — usam a mesma substância ativa, mas a forma de administração altera como o corpo a absorve e processa.
→ A medicação oral é tomada uma vez ao dia em forma de comprimido. Para ser absorvida eficientemente, ela utiliza um componente chamado SNAC que ajuda o medicamento a atravessar o estômago e ir para a corrente sanguínea.
→ Devido à absorção mais baixa pela via oral, normalmente a dose oral é maior e tomada diariamente, enquanto a subcutânea é menor e semanal.
3. Modo de usar
→ Oral: comprimido diário, geralmente em jejum e com regras sobre tempo sem comer após tomar, pois a presença de alimentos pode reduzir a absorção.
4. Efeitos colaterais
→ Como as duas formas usam o mesmo princípio ativo, os efeitos colaterais são semelhantes
→ Estudos sugerem que o uso oral pode ter taxas maiores de interrupção por efeitos colaterais em comparação com a subcutânea, possivelmente porque sua absorção varia mais entre os pacientes.
5. Contraindicações e precauções
→ Semelhante à medicação injetável
| Aspecto | Semaglutida Oral | Semaglutida Subcutânea |
| Administração | Comprimido diário | Injeção semanal |
| Absorção | Menor / mais variável | Maior / mais constante |
| Controle glicêmico | Eficaz, um pouco menor | Geralmente mais forte |
| Perda de peso | Similar, um pouco menor | Pode ser maior |
| Efeitos colaterais | Parecidos | Parecidos |
| Preferência | Sem agulhas | Menos dependente de tempo de jejum |
Emagrecimento e diabetes tipo 2, o que muda na prática médica em relação ao lançamento do análogo de GLP-1 oral?
Tanto para o emagrecimento, quanto para o tratamento da diabetes tipo 2, a via oral pode ser uma boa opção para pessoas que querem evitar injeções ou que têm medo de agulhas, e ainda assim buscam os benefícios de um agonista de GLP-1.
Conclusão
O risco não está no uso dos análogos de GLP-1 em si, mas na forma como são prescritos e acompanhados. Com a estratégia adequada, é possível:
→ Maximizar perda de gordura
→ Preservar (ou até aumentar) massa muscular
→ Evitar queda significativa do metabolismo basal
→ Evitar o reganho de peso
Leia também:
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https://drfelipecaixeta.com.br/fitoterapicos
https://drfelipecaixeta.com.br/jejum-intermitente
https://www.health.harvard.edu/medications/weight-loss-drugs
DIETA LOW CARB: AS 5 FONTES DE ENERGIA DO CORPO E COMO CALIBRÁ-LO PARA QUEIMA DE GORDURA
Além da contagem de calorias, essencial em qualquer dieta, podemos adotar estratégias simples (como a dieta low carb) para facilitar a queima de gordura pelo corpo e emagrecer. Low carb significa baixo carboidrato, uma dieta de baixo carboidrato tende a ter baixa caloria e, além disso, causa efeitos no metabolismo que favorecem a queima de gordura. Para entendermos como isso acontece, em primeiro lugar, devemos entender quais são as fontes de energia do nosso organismo e em que situação cada uma delas é utilizada.
Para entendermos como a dieta low carb (ou de baixo carboidrato) pode ajudar na queima de gordura corporal, precisamos verificar quais são as fontes de energia que o corpo pode utilizar:
As reservas de energia do organismo estão distribuídas entre os componentes abaixo:
- ATP
- creatina fosfato
- carboidratos (glicose e glicogênio)
- gorduras
- proteínas
Quando cada tipo de reserva de energia é utilizado pelo corpo?
Cada tipo de “combustível” é disponibilizado de acordo com a duração e intensidade do esforço, conforme abaixo:

ATP (laranja) |
CP – Creatina Fosfato (amarelo) |
Glicose e glicogênio anaeróbio (azul) |
Glicose e glicogênio aeróbio (marrom) |
Gordura (vermelho) |
| Uso imediato | Primeiros segundos do exercício | Primeiros minutos do exercício | 1ª e 2ª horas do exercício intenso | horas a dias do exercício leve a moderado |
1. ATP (adenosina trifosfato):
- É a forma de energia imediatamente utilizável pelo organismo.
- Todas as outras fontes de energia (creatina, carboidratos, gorduras e proteínas) são convertidas em ATP antes de serem usadas.
- As reservas de ATP são limitadas e se esgotam rapidamente.
2. Creatina fosfato:
- Uso nos primeiros segundos do exercício
- É uma molécula de alta energia que atua regenerando o ATP de forma rápida.
- Permite a continuidade das reações energéticas nos primeiros segundos de exercício ou atividade intensa.
3. Carboidratos (glicose e glicogênio):
- São a principal fonte de energia para esforços intensos, como musculação, atividades esportivas de alta intensidade ou trabalho físico pesado.
4. Lipídios (gorduras):
- Fornecem energia durante o repouso e o jejum.
- Também são utilizados em esforços de baixa a moderada intensidade e longa duração, como caminhadas e maratonas.
5. Proteínas:
- Têm função principalmente estrutural — formam músculos, enzimas e tecidos.
- Utilizadas como fonte de energia apenas em situações de carência prolongada de carboidratos e gorduras, como no jejum extremo ou desnutrição.

Qual é o médico que atua ajudando na dieta low carb, queima de gordura e no emagrecimento?
O médico que atua favorecendo o emagrecimento e a queima de gordura é aquele com formação em Nutrologia.
O Dr. Felipe Caixeta é médico graduado pela Faculdade de Ciências Médicas de MG e tem formação em Nutrologia pela Associação Brasileira de Nutrologia (ABRAN).
Além disso, possui 18 anos de experiência como clínico geral e 10 anos de atuação com suplementação nutricional.
Também possui especializações em Nutrologia Esportiva e Homeostase Hormonal.

O que são exercícios anaeróbicos?
O termo “anaeróbico” significa literalmente “sem oxigênio”. Exercícios anaeróbicos são atividades físicas de alta intensidade e curta duração, nas quais o corpo não depende do oxigênio. Esses esforços explosivos exigem produção rápida de energia.
Nos exercícios anaeróbicos o corpo usa o ATP e a Creatina fosfato (CP) nos primeiros segundos. Em seguida, utiliza a glicose por meio da quebra sem o uso de oxigênio, o que gera energia rápida, mas forma ácido lático. Este ácido causa fadiga muscular limitando o tempo de uso desta via.
Exemplos de exercícios anaeróbicos:

- Musculação (levantamento de peso)
- Corridas curtas e intensas (sprints)
- Saltos e lutas
- Treinos HIIT (intervalados de alta intensidade)
O que são exercícios aeróbicos? A queima de gordura utiliza oxigênio para geração de energia?
“Aeróbico” vem do grego e significa “com oxigênio”. Ou seja, são exercícios físicos que utilizam oxigênio para gerar energia durante o esforço. Para a queima de gordura é necessário o oxigênio, sendo portanto uma atividade física aeróbica.
Nos exercícios aeróbicos, os esforços têm intensidade moderada e são realizados por um período prolongado, o que estimula o sistema respiratório. A produção de energia é mais lenta, mas sustentável por longos períodos. Predomina a queima de gordura como fonte de energia, especialmente em intensidades baixas a moderadas.
Exemplos comuns de exercícios aeróbicos:

- Caminhada rápida
- Corrida leve ou trote
- Pedalar (ciclismo)
- Natação
- Dança
- Subir escadas ou subir montanhas
As fontes de energia do corpo são utilizadas em conjunto ou separadamente?
Mais de uma fonte de energia é utilizada ao mesmo tempo, a intensidade e a duração do esforço vão determinar a quantidade utilizada de cada fonte.
Na realidade, a contribuição de cada sistema energético varia muito conforme:
- nível de treinamento do indivíduo
- intensidade da carga
- número de repetições
- tempo sob tensão
- intervalo de descanso
Por isso, as imagens abaixo são exemplos ilustrativos e os percentuais de uso de cada fonte de energia são aproximados, apenas como forma de mostrar o predomínio de cada fonte de energia dependendo do tipo de exercício.
Aeróbico = quebra da glicose e das gorduras com uso de oxigênio
Aeróbico = quebra da glicose e das gorduras com uso de oxigênio
O que significa ter uma boa flexibilidade metabólica?
Assim como alguns carros podem alternar entre o uso de gasolina ou álcool, a flexibilidade metabólica é a capacidade do corpo de se adaptar a diferentes fontes de energia, dependendo da disponibilidade e do nível de atividade.
Por exemplo, conforme já foi explicado neste texto, em repouso o corpo normalmente utiliza a gordura como fonte de energia. Já durante um exercício intenso ou após uma refeição rica em carboidratos, ele passa a queimar glicose.
Uma pessoa metabolicamente flexível consegue transitar facilmente entre essas fontes de energia, otimizando o uso e o armazenamento de energia.
Como favorecer a queima da gordura no dia a dia?
Quando os hábitos de vida são ruins, com sedentarismo, estresse e dieta rica em carboidratos refinados, o metabolismo tende a se tornar inflexível e o corpo pode ter dificuldade na queima de gordura de forma eficaz.
Em vez disso, torna-se excessivamente dependente da glicose, aumentando o armazenamento de gordura devido ao excesso de gordura não utilizada na corrente sanguínea. Além disso, podem ocorrer quedas bruscas de energia quando os níveis de glicose diminuem.
Ao melhorar a flexibilidade metabólica, o corpo torna-se mais eficiente na utilização da gordura armazenada como fonte de energia, favorecendo a perda de peso e reduzindo o risco de obesidade e diabetes tipo 2.
Além de adotar uma dieta com restrição de calorias, fundamental para perda de peso, podemos lançar mão de algumas estratégias para favorecer a queima de gordura. Na tabela abaixo estão os principais fatores que podem favorecer o uso de gordura como combustível, ao invés de carboidratos, para perda de peso e melhora da saúde geral.
Fatores que favorecem a queima de gordura:
| Fator | Efeito metabólico |
| Baixar os níveis de insulina no sangue (dieta low carb) | Estimula a queima de gordura |
| Jejum intermitente moderado | Aumenta o uso de gordura |
| Exercício aeróbico de intensidade moderada | Favorece mitocôndrias e uso de gordura |
| Sono adequado | Mantém sensibilidade à insulina |
| Dieta rica em gorduras boas | Adapta o metabolismo à queima de gordura (cetose leve) |
A seguir, vamos abordar com mais detalhes a dieta low carb e como ela favorece o uso da gordura como fonte de energia.
O que são os macronutrientes? Qual deles deve ser evitado em uma dieta low carb?
- São nutrientes que o corpo precisa em grandes quantidades para manter as funções vitais.
- Os três principais macronutrientes são os carboidratos, as proteínas e as gorduras.
- As fibras e a água também podem ser considerados macronutrientes.
- Em uma dieta low carb devemos evitar os carboidratos e diminuir o seu consumo a níveis mínimos.
O que são os carboidratos? Porque os carboidratos devem ser reduzidos em uma dieta low carb?
- São moléculas formadas por carbono, hidrogênio e oxigênio, cuja principal função é fornecer energia para o organismo.
- Eles são uma fonte de energia utilizada mais rapidamente pelo corpo do que as gorduras, especialmente por órgãos que exigem gasto energético constante como o cérebro, o coração e os músculos.
- São facilmente convertidos em glicose (que é o açúcar medido no sangue) e são armazenados no fígado e nos músculos em forma de glicogênio.
- Exemplos de fontes de carboidratos: pães, massas, biscoitos, doces, refrigerantes, arroz, batata, milho, frutas, mel, legumes e cereais integrais.
- Os carboidratos devem ser evitados em uma dieta low carb para que, na ausência de carboidratos, a gordura possa ser queimada como fonte de energia.
O que são os carboidratos simples?
- São carboidratos que passam por processos industriais que removem fibras e outros nutrientes.
- Eles possuem estrutura molecular simples (monossacarídeos e oligossacarídeos).
- Possuem digestão e absorção rápidas, elevando a glicose no sangue de forma abrupta.
- Proporcionam pouca saciedade, podendo causar picos de insulina e posterior queda de glicose, o que pode aumentar a fome.
- Exemplos: Açúcar branco, farinha de trigo branca, pão branco, macarrão branco, doces, bolos e refrigerantes.
O que são carboidratos complexos? Em uma dieta low carb, qual é o tipo de carboidrato que não deve ser consumido, preferencialmente?
- São carboidratos com estrutura molecular complexa e longa (polissacarídeos).
- Eles são menos processados e mantêm as fibras naturais, vitaminas e minerais do alimento original.
- Sua digestão é lenta e gradual, promovendo uma liberação de energia constante.
- Promovem maior saciedade com níveis mais estáveis de glicose no sangue e fornecem mais nutrientes.
- Exemplos: Grãos integrais (aveia, quinoa), legumes, vegetais, batata-doce e leguminosas (feijão, lentilha).
- Em uma dieta low carb, devemos diminuir ao máximo o consumo de carboidratos refinados. Desta forma, podemos evitar os picos de açúcar e de insulina no sangue, esses picos dificultam a queima de gordura.
de dieta low carb
O que é uma dieta low carb?
- A tradução literal do termo em inglês significa “baixo carboidrato”.
- Neste contexto, a dieta low carb é uma estratégia alimentar que consiste em reduzir o consumo de carboidratos, especialmente os refinados (pães, massas e doces), e priorizar alimentos ricos em proteínas e gorduras saudáveis.
- Ao diminuir a ingestão desse macronutriente, o organismo passa a usar a gordura como sua principal fonte de energia, o que pode favorecer o emagrecimento e melhorar a saúde metabólica.
Por que a dieta low carb pode ser eficaz?
A dieta age no metabolismo das seguintes formas:
- Redução da insulina: Ao consumir menos carboidratos, em especial os simples, o corpo libera menos insulina, o hormônio responsável por armazenar gordura. Isso facilita a queima de gordura e reduz o acúmulo de tecido adiposo.

- Melhor controle da fome e da saciedade:
- Ocorre menor variação nos níveis de açúcar no sangue resultando em menos picos de fome.
- Alimentos ricos em proteínas e gorduras levam mais tempo para serem digeridos, o que aumenta a sensação de saciedade e ajuda a controlar o apetite por mais tempo.
- Queima de gordura: Com menos glicose disponível (combustível mais rápido), o corpo recorre às suas reservas de gordura para obter energia, um processo chamado lipólise.
- Melhora na sensibilidade à insulina e parâmetros metabólicos: Estudos mostram que dietas low carb podem:
- reduzir triglicerídeos;
- aumentar o HDL (“colesterol bom”);
- diminuir a glicemia e a insulina de jejum;
- melhorar o controle glicêmico em diabéticos tipo 2;
- em alguns casos, pode reduzir marcadores inflamatórios.
café da manhã de dieta low carb
Qual é a melhor forma de se baixar os níveis de insulina no sangue?
- A insulina é o principal hormônio que inibe a queima de gordura pelo corpo.
- A melhor maneira para diminuir os níveis de insulina no sangue é adotar uma dieta low carb.
- Além disso, jejum intermitente e exercícios físicos são formas importantes de favorecer a diminuição dos níveis de insulina.
de dieta low carb
Quais são as evidências científicas que apoiam a dieta low carb?
Meta-análises e ensaios clínicos indicam que:
- No curto prazo (3–6 meses), dietas low carb tende a promover maior perda de peso do que dietas low fat.
- No longo prazo (12–24 meses), a diferença de perda de peso diminui, mas melhorias metabólicas (glicemia, triglicerídeos, HDL) costumam se manter.
- A adesão é um fator crucial: o sucesso depende mais da sustentabilidade do padrão alimentar do que da proporção exata de macronutrientes.
Dieta Low Carb ou Low Fat: qual é melhor para prevenir cálculos biliares?
Os cálculos biliares (as famosas “pedras na vesícula”) são muito comuns, especialmente em pessoas com excesso de peso, resistência à insulina ou que passam por emagrecimento rápido.
O que são cálculos biliares e por que eles se formam?
A vesícula biliar é um pequeno órgão que armazena a bile, substância produzida pelo fígado para ajudar na digestão das gorduras.
A maioria dos cálculos é formada por colesterol. Eles surgem principalmente quando:
- Há colesterol em excesso na bile
- A vesícula fica muito tempo sem se contrair (bile parada)
- Existe resistência à insulina ou alterações metabólicas
Ou seja, alimentação e metabolismo têm papel importante nesse processo.
A dieta influencia no risco de pedra na vesícula?
- Sim. Tanto o tipo de alimento quanto a velocidade do emagrecimento interferem no funcionamento da vesícula.
- Dietas muito restritivas ou que levam a perda de peso muito rápida aumentam o risco de formação de cálculos.
- Além disso, a quantidade de gordura ingerida influencia diretamente a contração da vesícula.

Por que a dieta muito pobre em gordura pode aumentar o risco?
Quando ingerimos gordura, o organismo libera um hormônio que faz a vesícula se contrair e liberar a bile para o intestino.
Dietas muito pobres em gordura podem:
- Reduzir o estímulo de contração da vesícula
- Fazer a bile ficar “parada” por mais tempo
- Aumentar o risco de formação de cálculos
Ou seja, a vesícula precisa ser estimulada regularmente.
Quais são as vantagem da dieta low carb?
A dieta low carb (com menos carboidratos, especialmente os refinados) pode trazer algumas vantagens metabólicas importantes:
1. Melhor controle da insulina
A resistência à insulina aumenta a liberação de colesterol na bile.
2. Redução dos triglicerídeos
Triglicerídeos elevados estão associados a maior risco de cálculos.
A low carb costuma reduzir esses níveis de forma significativa.
3. Melhor estímulo da vesícula
Como geralmente contém uma quantidade moderada de gordura saudável, a vesícula é estimulada a se contrair regularmente, evitando estase biliar.
Então a dieta low fat é ruim?
Não necessariamente.
Uma dieta low fat bem planejada, rica em fibras, vegetais e pobre em açúcar, pode ser saudável.
O problema surge quando ela é:
- Muito restritiva em gordura
- Rica em carboidratos refinados
- Associada a emagrecimento rápido demais
Nesse cenário, o risco de cálculos pode aumentar.
Perder peso rápido aumenta o risco de cálculos?
Sim. Esse é um dos fatores mais importantes.
Durante perda de peso muito acelerada:
- O fígado libera mais colesterol na bile
- A vesícula pode esvaziar menos
- A formação de cálculos se torna mais provável
Por isso, emagrecimento gradual é sempre mais seguro.
Qual é a melhor estratégia para prevenir cálculos biliares?
Mais importante do que rotular a dieta como “low carb” ou “low fat” é seguir alguns princípios:
- Incluir gorduras saudáveis em quantidade moderada
- Reduzir carboidratos refinados
- Consumir boas quantidades de fibras
- Evitar dietas muito restritivas
- Emagrecer de forma gradual
Conclusão
Do ponto de vista metabólico, uma alimentação equilibrada, com controle de carboidratos refinados e presença moderada de gorduras saudáveis, tende a ser mais favorável para a prevenção de cálculos biliares do que dietas extremamente pobres em gordura.
A vesícula precisa funcionar — e para isso, precisa ser estimulada regularmente.
Como fazer uma dieta low carb?
Reduzir a ingestão de carboidratos refinados ou simples
- Evite açúcar, doces, sorvetes e refrigerantes.
- Evite alimentos à base de farinha branca como pães, biscoitos e massas.
- Fuja de alimentos ricos em amido ou feitos a partir dele, como batata inglesa, arroz, mandioca, milho e cerveja.
- Prefira carboidratos ricos em fibras e de digestão mais lenta como legumes, verduras e grãos integrais.
Manter níveis baixos de insulina e evitar picos de insulina constantes
- Comer com muita frequência ou ingerir muitos carboidratos simples mantém a insulina alta impedindo a queima de gordura.
- Quando ela está baixa (após jejum ou alimentação low carb), o corpo mobiliza as unidades de gordura (ácidos graxos) para gerar energia.
almoço em dieta low carb
Treinar a flexibilidade metabólica
- Alternar dias com mais carboidratos e dias com menos (estratégia chamada “carb cycling”).
- Isso ensina o corpo a se adaptar a diferentes fontes energéticas.
Espaçar as refeições (jejum intermitente)
- Ficar algumas horas sem comer permite que a insulina caia e o corpo entre em modo de queima de gordura.
- Seguir algum protocolo de jejum intermitente ou apenas evitar lanches entre refeições.
Aumentar o consumo de gorduras boas
- Inclua abacate, azeite de oliva, castanhas, peixes gordos (salmão, sardinha) e ovos.
- Isso ajuda o corpo a se adaptar ao uso da gordura como combustível.
Garantir ingestão adequada de proteínas
- A proteína mantém a massa muscular e evita que o corpo use músculo como energia.
- Boas fontes: carnes magras, ovos, laticínios, leguminosas, whey protein.
Dormir bem e controlar o estresse
- A privação de sono e o estresse crônico elevam cortisol, o que prejudica os efeitos da insulina no corpo, fazendo com que o organismo produza maiores quantidades para vencer a resistência. Níveis de insulina altos levam a uma menor queima de gordura.
No próximo post falaremos mais sobre o jejum intermitente e sua importância para a queima de gordura corporal.
Leia também:
https://drfelipecaixeta.com.br/obesidade-e-sindrome-metabolica
https://drfelipecaixeta.com.br/emagrecimento-novos-medicamentos
https://drfelipecaixeta.com.br/massa-muscular-envelhecimento-saudavel
https://drfelipecaixeta.com.br/fitoterapicos
https://drfelipecaixeta.com.br/jejum-intermitente
https://www.dietdoctor.com/low-carb
https://www.sciencedirect.com/science/article/pii/S0025619622000428
JEJUM INTERMITENTE: É REALMENTE NECESSÁRIO COMER DE 3 EM 3 HORAS? A LIMPEZA CELULAR E O USO DA GORDURA CORPORAL
O que é o jejum intermitente?
- O jejum intermitente é uma estratégia alimentar que alterna períodos de jejum (sem consumir calorias) com períodos de alimentação, de forma planejada.
- Não é uma “dieta” no sentido tradicional — não define exatamente o que comer, mas quando comer.
Quais são os protocolos mais comuns para fazer o jejum intermitente?
A ilustração e o quadro abaixo mostram alguns protocolos comuns de jejum intermitente.

| Protocolo | Descrição | Dificuldade |
| 12/12 | 12h de jejum, 12h de alimentação (ex.: jantar às 20h → café às 8h) | Fácil |
| 14/10 | 14h jejum / 10h alimentação | Moderada |
| 16/8 | 16h jejum / 8h alimentação (mais popular) | Moderada |
| 5:2 | 5 dias normais + 2 dias com 25% das calorias habituais | Moderada |
| OMAD | Uma refeição ao dia (20–23h de jejum) | Difícil / Avançado |
Qual é o médico que trabalha com suplementos e orientações nutricionais?
O médico que atua com suplementos e orientações nutricionais é aquele com formação em Nutrologia.
O Dr. Felipe Caixeta é médico graduado pela Faculdade de Ciências Médicas de MG e tem formação em Nutrologia pela Associação Brasileira de Nutrologia (ABRAN).
Além disso, possui 18 anos de experiência como clínico geral e 10 anos de atuação com suplementação nutricional.
Também possui especializações em Nutrologia Esportiva e Homeostase Hormonal.

Comer de 3 em 3 horas é realmente necessário?
Durante muitos anos, orientava-se fracionar a alimentação ao longo do dia com a ideia de:
- “Acelerar o metabolismo”
- Evitar queda de açúcar no sangue
- Controlar a fome
Hoje sabemos que:
O metabolismo não acelera simplesmente porque você come mais vezes ao dia.
O que mais influencia o peso é o total de calorias consumidas no dia — não o número de refeições.
Ou seja: não existe obrigatoriedade biológica de comer a cada 3 horas para manter o metabolismo funcionando.
Então o jejum intermitente é melhor?
Não necessariamente.
O jejum intermitente organiza a alimentação em uma janela de tempo menor (por exemplo, 8 horas), enquanto a estratégia de comer de 3 em 3 horas distribui as refeições ao longo do dia inteiro.
No fim, o que mais importa é:
- Qualidade da alimentação
- Quantidade total de calorias
- Consumo adequado de proteínas
- Sustentabilidade da estratégia
A melhor abordagem é aquela que a pessoa consegue manter no longo prazo.
Comer de 3 em 3 horas protege contra perda de massa muscular?
Não automaticamente.
A preservação da massa muscular depende principalmente de:
- Quantidade total de proteína ingerida no dia
- Estímulo muscular (musculação)
- Déficit calórico não muito agressivo
É possível preservar massa muscular tanto com refeições frequentes quanto com jejum intermitente — desde que esses fatores estejam adequados.

Há situações em que comer a cada 3 horas é mais indicado?
Sim. Pode ser útil em pessoas que:
- Sentem muita fome quando passam muitas horas sem comer
- Têm refluxo ou desconforto gástrico
- Estão em fases de ganho de massa muscular
- Têm dificuldade em consumir proteína suficiente em poucas refeições
Jejum intermitente versus comer de 3 em 3 horas, qual é a conclusão prática?
Não existe uma única regra válida para todos.
✔ Comer de 3 em 3 horas não é obrigatório.
✔ Jejum intermitente não é obrigatório.
✔ O que importa é a estratégia que melhor se adapta ao estilo de vida, à saúde e aos objetivos da pessoa.
Por que vale a pena fazer o jejum intermitente?
Pode trazer benefícios reais para a saúde metabólica, o controle do peso e o bem-estar geral, quando bem planejado e individualizado.
Quais são os efeitos do jejum intermitente no metabolismo?
Durante o jejum, o corpo passa por algumas mudanças metabólicas importantes:

O que é a autofagia e como ela funciona?
A autofagia (do grego auto = “próprio” e phagein = “comer”) é um processo natural e vital de limpeza e renovação celular. Em termos simples, é como se as células “fizessem uma faxina interna”.

Durante a autofagia, a célula identifica partes danificadas ou desnecessárias, como:
- organelas velhas (ex: mitocôndrias desgastadas)
- proteínas defeituosas
- resíduos tóxicos acumulados
A célula os envolve em vesículas (como “sacos de lixo”) que depois se fundem com lisossomos — estruturas que contêm enzimas capazes de degradar e reciclar esses componentes.
Os “restos” são então reutilizados como fonte de energia ou matéria-prima para formar novas estruturas celulares.
Quais são os benefícios do jejum intermitente para saúde?
O jejum intermitente tem sido amplamente estudado nos últimos anos, e diversos benefícios fisiológicos e metabólicos foram observados em estudos científicos — tanto em humanos quanto em modelos animais. Abaixo estão os principais:
| Benefício | Efeito principal | Evidência científica |
| Controle dos níveis de açúcar | ↓ resistência à insulina | Alta |
| Emagrecimento | ↓ gordura corporal | Alta |
| Longevidade celular | ↑ autofagia | Alta (em animais) |
| Saúde cardiovascular | ↓ triglicerídeos e LDL | Moderada |
| Função cerebral | ↑ BDNF*, foco e clareza mental | Moderada |
| Inflamação | ↓ marcadores inflamatórios | Moderada |
*O que é o BDNF?
O BDNF é uma proteína produzida naturalmente pelo cérebro (principalmente no hipocampo e córtex), que atua como um “fertilizante” para os neurônios.
Ele favorece o crescimento, manutenção e sobrevivência das células nervosas, além de estimular a formação de novas conexões entre elas (sinapses).
Pode contribuir para redução de peso e gordura corporal
- Durante o jejum, os níveis de insulina caem, e o corpo passa a usar a gordura estocada como principal fonte de energia.
- Pode diminuir a ingestão calórica total levando à perda de peso.
- Além disso, ajuda a preservar massa magra quando comparado a dietas convencionais de restrição calórica contínua.
Melhora da sensibilidade à insulina e do controle da glicose
- Um dos efeitos mais consistentes do jejum intermitente é a redução da resistência aos efeitos da insulina, tornando as células mais sensíveis a esse hormônio.
- Ajuda a controlar os níveis de glicose no sangue, útil para prevenir ou controlar o diabetes tipo 2 e a síndrome metabólica.
Diminuição da inflamação e estresse oxidativo
- A queda na inflamação ajuda na prevenção de doenças crônicas (como a formação de placas de gordura nos vasos sanguíneos).
- Durante o jejum, o corpo ativa mecanismos de reparo celular, reduzindo radicais livres e citocinas inflamatórias.
Melhora de marcadores cardiovasculares
- Redução de colesterol ruim, triglicerídeos e pressão arterial em alguns estudos.
Estimula a autofagia (limpeza celular)
- No período de jejum, o corpo ativa mecanismos de reciclagem celular, eliminando componentes danificados.
- Esse processo está ligado à longevidade e à prevenção de doenças neurodegenerativas (como Alzheimer e Parkinson).
Melhora a clareza mental e o foco
- A queda da glicose no sangue e o uso da gordura (corpos cetônicos) como energia podem aumentar a concentração e reduzir a fadiga mental.
- Pode aumentar fatores neurotróficos (como BDNF), ligados à memória, aprendizado e proteção neuronal.
Potencial efeito antienvelhecimento
- Durante o jejum, o organismo faz uma espécie de “faxina celular”, reduzindo o desgaste das células e melhorando o uso da energia.
- As células produzem menos radicais livres, que são moléculas ligadas ao envelhecimento precoce e a várias doenças.
- Estudos em animais mostram que o jejum intermitente pode aumentar a expectativa de vida e atrasar o envelhecimento metabólico. Em humanos, as evidências ainda são preliminares, mas promissoras.
Simplicidade e aderência
- Não exige contagem de calorias ou alimentos específicos — apenas organização dos horários de alimentação.
- Pode ser mais fácil de manter do que dietas restritivas contínuas.
Também pode reduzir a inflamação sistêmica de baixo grau (estado inflamatório leve, porém persistente de todo o corpo que pode contribuir para o surgimento de doenças crônicas).
Existem evidências científicas de que o jejum intermitente pode favorecer a queima de gordura corporal?
- Há evidências científicas consistentes mostrando que o jejum intermitente pode favorecer a queima de gordura corporal, embora o efeito dependa de vários fatores (como duração do jejum, dieta total e nível de atividade física).
- Com base em estudos revisados por pares, seguem as evidências principais:
Aumento da queima de gorduras
- Durante o jejum, há redução da insulina no sangue, o que favorece a queima da gordura corporal.

- Estudos com protocolos de 16:8 e 5:2 mostraram aumento da utilização de gordura como substrato energético após 12 a 24 horas de jejum.
Melhoria da sensibilidade à insulina
- O jejum melhora a sensibilidade do corpo aos efeitos da insulina, o que reduz os seus níveis e facilita o uso de gordura como combustível no dia a dia.

Preservação da massa magra em dietas de baixa caloria
- Ensaios clínicos comparando jejum intermitente com restrição calórica ao longo do tempo mostraram que no jejum intermitente ocorrem perdas de gordura corporal semelhantes ou maiores do que na restrição calórica, porém, com melhor preservação de massa magra em alguns protocolos.
Efeitos metabólicos adicionais
- Há também evidências de melhora na flexibilidade metabólica, ou seja, na capacidade do corpo de alternar entre glicose e gordura como fonte de energia — o que é crucial para a queima de gordura eficiente.
O jejum Intermitente pode beneficiar o cérebro?
Este é um tema que gera bastante interesse, mas exige cautela na interpretação.
Possíveis mecanismos neurobiológicos
Durante o jejum ocorre:
- Aumento da produção de corpos cetônicos (moléculas produzidas pelo fígado a partir da gordura quando o corpo não tem glicose suficiente disponível para usar como fonte de energia).
- Aumento do BDNF (proteína produzida pelo cérebro que atua como um “fertilizante” para os neurônios) em modelos animais.
- Redução do estresse oxidativo, ou seja, redução dos radicais livres em modelos experimentais.
Evidência em humanos
- Algumas pessoas relatam maior clareza mental (efeito possivelmente relacionado à cetose leve e estabilidade glicêmica).
- Evidência robusta para prevenção de Alzheimer ou outras doenças neurodegenerativas ainda é insuficiente.
- A maioria dos dados promissores vem de estudos em animais.
Ponto de atenção
- Jejuns prolongados podem causar irritabilidade, dificuldade de concentração ou cefaleia nas fases iniciais.
Jejum intermitente e o ritmo circadiano:
O metabolismo humano é regulado por um “relógio biológico central”, localizado no hipotálamo, sincronizado principalmente pela luz, e por relógios periféricos presentes no fígado, músculo, pâncreas e tecido adiposo.
Como o jejum intermitente interage com o ritmo circadiano (dormir e acordar)?
- A ingestão alimentar é um dos principais sincronizadores dos relógios periféricos do corpo.
- Comer em horários tardios pode desalinhar esses relógios do ciclo claro-escuro.
- Protocolos de restrição alimentar com janela mais precoce, ou seja, que recomendam jantar mais cedo (early time-restricted feeding) parecem:
- Melhorar sensibilidade à insulina
- Reduzir glicemia de jejum
- Reduzir pressão arterial
- Melhorar perfil inflamatório
Ponto importante
O benefício metabólico pode estar mais relacionado ao alinhamento circadiano (comer mais cedo) do que apenas ao número de horas em jejum.
Ou seja:
Jantar cedo pode ser metabolicamente mais favorável do que simplesmente “pular o café da manhã”.
Quais cuidados devemos ter antes de iniciar a prática do jejum intermitente?
O jejum não é indicado para todos e deve ser adaptado individualmente. Evite ou só pratique com acompanhamento médico/nutricional se você:
- Tem diabetes em uso de medicação;
- Está grávida ou amamentando;
- Tem histórico de distúrbios alimentares;
- Sofre de hipoglicemia recorrente.
Importante:
- O déficit calórico total ainda é o principal determinante da perda de gordura.
- O jejum intermitente pode facilitar o déficit calórico e melhorar o ambiente hormonal para a queima de gordura.
- Resultados variam conforme o protocolo (por exemplo, 16:8, 5:2, jejum em dias alternados).
Que orientações preciso seguir na estratégia do jejum intermitente?
O jejum intermitente não é apenas “ficar sem comer”, mas sim organizar períodos de jejum e alimentação de maneira planejada, para que seja sustentável e seguro. Aqui estão as principais técnicas e práticas recomendadas:
Escolher o protocolo adequado
- Começar pelos protocolos mais suaves (12h ou 14h de jejum) ajuda a adaptação.
Hidratação durante o jejum
- Beba água à vontade.
- Café preto sem açúcar, chá e bebidas sem calorias são permitidos (ajudam a controlar a fome).
Alimentação no período de refeições
- Priorize proteínas magras e gorduras saudáveis para saciedade.
- Mantenha carboidratos complexos (integrais, ricos em fibras) se você pratica exercícios intensos.
- Evite “compensar” com junk food — o jejum funciona melhor com dieta equilibrada.
Manter os eletrólitos
- Em jejuns acima de 16h é importante prestar atenção a sódio, potássio e magnésio.
- Pode usar sal (água com uma pitada de sal integral) ou caldos caseiros sem calorias.

Adaptar gradualmente
- Se você está acostumado a café da manhã, comece atrasando-o gradualmente (ex.: em vez de 7h, tomar às 9h, depois às 11h).
- O corpo se adapta em 1–2 semanas.
Sincronizar com exercícios
- Para treinos de força, muitas pessoas se sentem bem treinando em jejum; outras não.
- Se perder desempenho ou massa muscular for uma preocupação, pode ser melhor comer algo proteico após o treino dentro da janela alimentar, em até uma hora após o treino.
Respeitar os sinais do corpo
- Jejum não deve gerar tontura, fraqueza intensa ou irritabilidade extrema.
- Mulheres podem precisar de adaptações (seus hormônios são mais sensíveis).
- Ajuste conforme sua rotina, sono e níveis de estresse.
Consistências versus intensidade
- O mais importante é manter um padrão que funcione no longo prazo.
- Começar com 12/12 e ir aumentando é muito mais eficaz do que tentar um jejum de 24h logo no início.
Jejum intermitente faz mal? Conheça os possíveis efeitos colaterais e contraindicações
O jejum intermitente se tornou muito popular nos últimos anos como estratégia para emagrecimento e melhora da saúde metabólica. Mas será que ele é seguro para todo mundo?
A seguir, responderemos às principais dúvidas.
O jejum intermitente pode causar efeitos colaterais?
Sim, principalmente nas primeiras semanas.
É comum que o corpo precise de um período de adaptação. Nesse início, algumas pessoas relatam:
- Dor de cabeça
- Irritabilidade
- Cansaço
- Tontura
- Dificuldade de concentração
- Mau hálito
Na maioria das vezes, esses sintomas melhoram com o tempo.
O jejum pode causar queda de açúcar no sangue?
Pode, especialmente em pessoas com diabetes.
Quem usa insulina ou certos medicamentos para diabetes pode ter hipoglicemia (queda do açúcar no sangue), que pode provocar:
- Tremores
- Suor frio
- Fraqueza
- Confusão mental
Por isso, pessoas com diabetes não devem fazer jejum sem orientação médica.
O jejum intermitente pode causar perda de massa muscular?
Pode acontecer, principalmente se houver:
- Consumo insuficiente de proteínas
- Falta de exercícios de força (musculação)
Quando a perda de peso é muito rápida, parte dela pode vir da massa muscular, não apenas da gordura.
Mulheres podem ter alterações hormonais?
Em alguns casos, sim.
Se o jejum for muito restritivo ou associado a grande perda de peso, pode haver:
- Irregularidade menstrual
- Ausência de menstruação
Isso costuma acontecer quando o corpo entende que está em situação de “escassez energética”.
O jejum aumenta o risco de pedra na vesícula?
Pode aumentar se houver perda rápida de peso.
A formação de cálculos biliares não está ligada apenas ao jejum em si, mas à velocidade com que o peso é perdido.
O jejum pode piorar a relação com a comida?
Em algumas pessoas, sim.
Quem já teve compulsão alimentar ou transtornos alimentares pode apresentar piora do quadro. Por isso, o jejum não é indicado para quem tem esse histórico.
Quem NÃO deve fazer jejum intermitente?
O jejum não é recomendado para:
- Gestantes
- Mulheres que estão amamentando
- Crianças e adolescentes
- Pessoas com histórico de transtornos alimentares
- Pessoas com baixo peso
- Pacientes com diabetes tipo 1
- Pessoas que usam insulina (sem acompanhamento médico)
- Idosos frágeis
Nesses casos, os riscos podem ser maiores que os benefícios.
Então o jejum intermitente é perigoso?
Não necessariamente.
Para adultos saudáveis, quando bem orientado e sem exageros, o jejum intermitente pode ser uma estratégia segura.
O mais importante é lembrar que:
- Não existe uma única dieta ideal para todos
- A qualidade da alimentação é mais importante do que apenas o horário das refeições
- Estratégias extremas tendem a trazer mais riscos
Se houver qualquer doença pré-existente, o ideal é conversar com um médico antes de iniciar.
Leia também:
https://drfelipecaixeta.com.br/obesidade-e-sindrome-metabolica
https://drfelipecaixeta.com.br/dieta-low-carb-queima-de-gordura
https://drfelipecaixeta.com.br/emagrecimento-novos-medicamentos
https://drfelipecaixeta.com.br/massa-muscular-envelhecimento-saudavel
https://drfelipecaixeta.com.br/fitoterapicos-recomendacao
Referências:
https://www.nejm.org/doi/full/10.1056/NEJMra1905136
https://jamanetwork.com/journals/jama/fullarticle/2784658
https://www.healthline.com/nutrition/fasting-benefits
https://onlinelibrary.wiley.com/doi/10.1002/oby.22065
https://www.annualreviews.org/doi/10.1146/annurev-nutr-071816-064634
FITOTERÁPICOS: 3 PONTOS QUE SOMADOS PODEM REFORÇAR SUA RECOMENDAÇÃO - EVIDÊNCIA CIENTÍFICA, EFEITO LINDY E RECONHECIMENTO PELO SUS E UNIVERSIDADES
“A crença de que existe apenas uma verdade, e de que alguém está em posse dela, parece-me a raíz mais profunda de todo o mal no mundo.” – Max Born (Physics in My Generation), recebeu o Prêmio Nobel de Física em 1954.
Estimativas apontam que os medicamentos patenteados costumam ter de 10 a 100 vezes mais estudos clínicos robustos do que a maioria dos fitoterápicos. A seguir, vamos analisar esta questão.
O que são fitoterápicos?
Fitoterápicos são medicamentos feitos exclusivamente a partir de plantas medicinais. Diferente de chás caseiros ou suplementos naturais, eles passam por processos de padronização, controle de qualidade e estudos de segurança.
Ou seja: não é apenas “produto natural”. É um medicamento de origem vegetal.
Fitoterápicos realmente funcionam?
Alguns sim — e têm estudos científicos que comprovam seus benefícios. Outros ainda têm evidências limitadas. Por isso, é importante diferenciar tradição popular de comprovação científica.
Por que fitoterápicos não podem ser patenteados?
Porque são substâncias naturais, a lei de patentes exige que seja invenção, não descoberta.
E substâncias naturais (plantas, raízes, vitaminas, minerais) já existem na natureza, então:
-
- Não podem ser “criadas” por uma empresa.
-
- Não são consideradas algo novo.
Qual é o médico que lida com fitoterápicos e nutrientes?
O médico que atua com nutrientes e fitoterápicos é aquele com formação em Nutrologia.
O Dr. Felipe Caixeta é médico pela Faculdade de Ciências Médicas de Minas Gerais, com formação em Nutrologia pela Associação Brasileira de Nutrologia (ABRAN).
Tem 18 anos de experiência clínica e atua com suplementação nutricional há cerca de 10 anos.
Possui também especializações em Nutrologia Esportiva e Homeostase Hormonal.

Por que há pouca evidência robusta sobre fitoterápicos?
Porque não existe incentivo econômico forte, nem exigência regulatória, nem proteção de propriedade intelectual que justifique grandes investimentos em pesquisas caras.
O resultado é um ciclo: menos dinheiro → menos estudos → menos evidências → menos credibilidade.

| Medicamentos patenteados | Fitoterápicos |
| Possuem muito mais estudos de alta qualidade, por exigência regulatória e por forte incentivo comercial. | Possuem menos estudos e de qualidade mais heterogênea, apesar de alguns compostos isolados apresentarem evidências robustas. |
Medicamentos com patente
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- Uma nova molécula pode gerar bilhões em receita.
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- As empresas investem pesado em pesquisa para justificar e proteger a patente.
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- Grande volume de estudos.
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- Diversos centros envolvidos.
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- Estudos mais longos e com mais participantes.
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- Estudos com amostras grandes (centenas ou milhares de pessoas)
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- Revisados por agências regulatórias (FDA, EMA, ANVISA)
Fitoterápicos (sem patente)
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- Sem patente, não existe exclusividade comercial → não há incentivo financeiro para empresas investirem centenas de milhões em pesquisa.
-
- A quantidade de estudos é bem menor.
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- Restritos a pequenas universidades, grupos independentes ou pesquisas governamentais.
-
- Ensaios pequenos (10 a 80 participantes).
-
- Estudos curtos.
-
- Variabilidade enorme nos extratos usados (padronização nem sempre existe).

| Característica | Medicamentos com patente | Fitoterápicos sem patente |
| Incentivo econômico | Altíssimo | Baixo |
| Retorno financeiro | Retorno financeiro previsível | Concorrência ampla, sem exclusividade comercial |
| Quantidade de estudos | Muito alta | Baixa a moderada |
| Qualidade média | Alta | Moderada ou baixa |
| Rigor regulatório | Exigência regulatória alta → obriga estudos robustos | Exigência regulatória muito menor |
Qual é a diferença, no que diz respeito à estrutura corporativa, entre as empresas farmacêuticas tradicionais e as empresas do ramo de fitoterápicos e nutrientes?
-
- A indústria farmacêutica é composta por gigantes globais capazes de bancar estudos milionários.
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- Já o mercado de fitoterápicos e suplementos é altamente fragmentado, com milhares de empresas pequenas. Quase nenhuma possui recursos financeiros para um ensaio clínico robusto.
Natural significa que é sempre seguro?
Não. Mesmo sendo de origem vegetal, fitoterápicos podem:
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- Interagir com medicamentos
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- Causar efeitos colaterais
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- Não serem indicados para todos
Por isso, devem ser usados com orientação profissional.
Quando vale a pena considerar um fitoterápico?
Eles podem ser úteis principalmente em:
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- Sintomas leves
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- Como complemento ao tratamento convencional
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- Quando há boa evidência científica
Em quadros moderados ou graves, geralmente não substituem medicamentos tradicionais.
Quais são as dificuldades específicas em relação ao uso dos fitoterápicos?
Fitoterápicos não são moléculas isoladas; são misturas complexas.
Isso cria problemas:
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- padronizar o extrato para que todos usem exatamente o mesmo produto
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- garantir concentração de compostos ativos
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- provar mecanismo claro de ação
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- controlar variações agrícolas e sazonais
Essas dificuldades aumentam o custo e a complexidade dos estudos, reduzindo o incentivo.
O que é o “Efeito Lindy”?
O Efeito Lindy é um conceito que sugere que quanto mais tempo algo não perecível existe, maior é a expectativa de que continuará existindo. Ou seja, a vida futura de uma ideia, tecnologia, livro, teoria ou tradição tende a ser proporcional ao seu tempo de sobrevivência até agora.
É uma forma de prever durabilidade baseada na robustez demonstrada pelo tempo.
Como funciona na prática o Efeito Lindy?
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- Se um livro é lido há 500 anos, é provável que ainda esteja sendo lido daqui a 500.
-
- Se uma prática cultural existe há milênios, tende a continuar por muito mais tempo.
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- Se um suplemento medicinal é usado há 2.000 anos, sua probabilidade de “sobreviver” também aumenta.
O efeito NÃO se aplica a coisas que têm vida útil física limitada (como humanos, lâmpadas ou carros). É restrito a entidades não perecíveis, especialmente:
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- Ideias e teorias
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- Tradições e práticas sociais
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- Tecnologias duráveis
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- Remédios tradicionais
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- Obras culturais
Qual é a origem do termo “Efeito Lindy”?
O nome vem do Lindy’s Deli, um restaurante em Nova York onde comediantes e artistas discutiam quanto tempo certas obras de teatro estariam em cartaz.
1964 — Primeira formulação (Albert Goldman)
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- O crítico Albert Goldman publica um artigo descrevendo a “Lei de Lindy”, observando que comediantes de TV tendiam a prever a longevidade futura de um programa com base no tempo em que ele já estava no ar.
2012— Nassim Taleb populariza e formaliza o conceito
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- Nassim Nicholas Taleb é um estatístico, filósofo e ex-operador de mercados conhecido por estudar riscos, incerteza e eventos imprevisíveis de grande impacto. Ele apresentou uma formulação mais robusta sobre o Efeito Lindy no livro Antifragile, incorporando-o à sua teoria sobre sistemas que resistem ao tempo e à incerteza.
Por que o Efeito Lindy faz sentido?
Porque o tempo atua como um filtro:
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- O que é fraco, falho ou inútil tende a desaparecer cedo
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- O que permanece, provavelmente tem qualidades que resistem ao desgaste, à moda e à obsolescência
Assim, o que sobrevive mais tempo provou sua robustez.
Exemplos
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- A filosofia de Aristóteles (2.300 anos → deve durar muito mais)
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- Medicina herbal tradicional (séculos de uso contínuo)
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- Livros clássicos
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- Matemática antiga (geometria euclidiana, por exemplo)
Em resumo, ideias que já sobreviveram por muito tempo tendem a sobreviver por ainda mais tempo.
O Efeito Lindy pode ser aplicado aos fitoterápicos?
Sim, se uma planta medicinal é usada há séculos ou milênios em diferentes culturas, para propósitos relativamente semelhantes, e seu uso permaneceu ao longo das gerações, então existe uma probabilidade maior de ela ter algum efeito real, ou ao menos de ser relativamente segura nas condições tradicionais de uso.
Alguns fitoterápicos e seu tempo de uso pela humanidade
| Substância | Indicação clínica | Tempo aproximado de uso pela humanidade | Origem |
| Ashwagandha (Withania somnifera) | Fadiga física e mental | > 3.000 anos | Planta clássica da medicina tradicional indiana. |
| Panax ginseng | Fadiga física e mental | > 2.000 anos | Usado desde a dinastia Han na medicina chinesa. |
| Silimarina (Silybum marianum) | Doenças do fígado | > 2.000 anos | Uso na medicina greco-romana. |
| Rhodiola rosea | Fadiga relacionada ao estresse | > 1.000 anos | Uso tradicional por povos da Sibéria, Escandinávia e China. |
| Long Jack (Eurycoma longifolia) | Disfunção sexual, composição corporal | 400–500 anos | Tradicional no Sudeste Asiático (Malásia/Indonésia). |
Alguns medicamentos alopáticos e seu tempo de uso pela humanidade:
| Substância | Indicação clínica | Tempo aproximado de uso pela humanidade | Observações |
| Dipirona | Analgésico | ~100 anos | Descoberta em 1920 |
| Amoxicilina | Analgésico | ~50 anos | Introduzida em 1972 |
| Losartana | Anti-hipertensivo | ~30 anos | Lançada em 1995. |
| Rosuvastatina | Controle de colesterol | ~25 anos | Início dos anos 2000. |
| Yasmin (drospirenona + etinilestradiol) | Anticoncepcional oral | ~25 anos | Lançada em 2000. |
Quais são as limitações do Efeito Lindy aplicado aos fitoterápicos?
Mesmo quando há efeito Lindy, isso não garante:
1. Eficácia comprovada
Algo pode sobreviver por tradição, não por eficácia farmacológica. Alguns usos tradicionais não se comprovam em estudos modernos.
2. Segurança na forma moderna
A forma como se usa hoje pode ser totalmente diferente da forma tradicional:
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- Concentrações muito maiores (extratos padronizados)
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- Associações com outras substâncias
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- Doses não tradicionais
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- Formas encapsuladas em vez de chás
O uso milenar pode garantir segurança nas preparações tradicionais, mas não necessariamente no uso moderno.
3. Contexto cultural
Às vezes algo persiste por fatores culturais, não biológicos:
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- rituais
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- crenças religiosas
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- efeito placebo coletivo
O efeito Lindy não substitui evidências científicas modernas, especialmente para:
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- dose ideal
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- mecanismo de ação
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- eficácia em condições clínicas específicas
Nível de evidência de alguns medicamentos e fitoterápicos:
| Substância | Tipo | Nível de evidência científica |
| Amoxicilina | Medicamento comum | Forte |
| Losartana | Medicamento comum | Forte |
| Rosuvastatina | Medicamento comum | Forte |
| Yasmin (drospirenona + etinilestradiol) | Medicamento comum | Forte |
| Dipirona (Metamizol) | Medicamento comum | Forte |
| Ashwagandha (Withania somnifera) | Fitoterápico | Moderado a forte |
| Long Jack (Eurycoma longifolia) | Fitoterápico | Moderado a forte |
| Silimarina (Silybum marianum) | Fitoterápico | Moderado a forte |
| Panax ginseng | Fitoterápico | Moderado |
| Rhodiola rosea | Fitoterápico | Moderado |
O SUS reconhece os fitoterápicos como forma de tratamento?
Sim. O SUS possui uma política nacional voltada ao uso de plantas medicinais e fitoterápicos. Esses produtos fazem parte das práticas integrativas reconhecidas pelo Ministério da Saúde. Porém, a disponibilidade pode variar de acordo com o município e da estrutura da chamada “Farmácia Viva”.
Quais são as políticas do SUS em relação ao uso de fitoterápicos?
O Ministério da Saúde reconhece a fitoterapia por meio da Política Nacional de Práticas Integrativas e Complementares. As plantas medicinais oficialmente listadas no Brasil estão descritas na RENISUS e RENAME.
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- RENISUS (Relação Nacional de Plantas Medicinais de Interesse ao Sistema Único de Saúde): reúne plantas medicinais com potencial de uso no SUS, priorizadas para estudos, desenvolvimento e oferta futura. Não significa que todas já sejam medicamentos disponíveis.
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- RENAME (Relação Nacional de Medicamentos Essenciais): lista medicamentos fitoterápicos efetivamente considerados essenciais, com indicação, forma farmacêutica e uso no SUS. A RENAME é atualizada periodicamente, a composição exata pode variar conforme a edição (ano/portaria).
Diferença prática: RENISUS → plantas priorizadas para pesquisa e desenvolvimento; RENAME → medicamentos essenciais já incorporados ao SUS.
Em síntese, o SUS prioriza fitoterápicos seguros, baratos e culturalmente aceitos, mesmo quando a evidência não atinge o padrão de grandes ensaios internacionais.
Quais são os principais fitoterápicos utilizados no SUS?
A ilustração a seguir, mostra os fitoterápicos tradicionalmente incluídos (extratos/derivados padronizados) e que estão entre os mais utilizados pelo SUS.

Como saber se minha cidade oferece esses medicamentos?
Você pode:
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- Consultar a farmácia da sua Unidade Básica de Saúde (UBS)
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- Acessar o site da Secretaria Municipal de Saúde
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- Perguntar ao seu médico ou farmacêutico
Quando os fitoterápicos são mais indicados?
Geralmente são utilizados em casos leves a moderados, como:
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- Problemas digestivos
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- Ansiedade leve
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- Tosse simples
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- Dores articulares leves
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- Sintomas do climatério
Eles podem complementar tratamentos convencionais, mas não substituem acompanhamento médico quando necessário.
O que as universidades brasileiras orientam em relação aos fitoterápicos com boa evidência?
Mesmo fitoterápicos com evidência clínica consistente costumam receber pouco destaque. Esses temas raramente são cobrados em provas ou discutidos com a mesma profundidade que fármacos clássicos.
Muitas vezes, não é a qualidade da evidência científica que determina a presença da fitoterapia no currículo médico, mas sim fatores históricos, culturais, regulatórios e econômicos.
No Brasil, a fitoterapia raramente é disciplina obrigatória, mas aparece como disciplina optativa, módulo transversal ou extensão, especialmente em instituições ligadas ao SUS.
Universidades com ensino documentado de fitoterapia / plantas medicinais: UFMG, UFSC, UFRJ, UFBA, UFPE, UFC, UFPR.
Outros contextos: Ligas acadêmicas de fitoterapia; Residências em Medicina de Família e Comunidade; Programas de extensão vinculados à RENISUS / Farmácias Vivas.
Como as universidades no exterior abordam a fitoterapia?
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- Europa (especialmente Alemanha, Suíça e França): fitoterapia integrada à farmacologia médica (ensinada como medicamento, não como prática alternativa).
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- EUA e Reino Unido: inserida em medicina integrativa (medicina que trata o corpo como um todo), com abordagem crítica e baseada em evidência.
Alemanha (referência mundial)
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- Charité – Universitätsmedizin Berlin (Hospital Universitário de Berlim)
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- Universidade de Freiburg
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- Universidade de Heidelberg
Fitoterapia é parte formal do currículo médico, integrada à farmacologia.
Suíça
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- Universidade de Zurique
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- Universidade de Berna
Fitoterapia baseada em extratos padronizados, frequentemente comparada a fármacos sintéticos.
França
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- Université Paris Cité
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- Université de Strasbourg
Fitoterapia dentro de farmacologia clínica e medicina integrativa.
Reino Unido
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- University of Exeter
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- University of Oxford (centros de medicina baseada em evidência)
Ensino crítico: só entram fitoterápicos com ensaios clínicos robustos.
Estados Unidos
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- Harvard Medical School
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- Johns Hopkins
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- University of Arizona (Andrew Weil Center)
Inserção dentro da Medicina Integrativa, com forte foco em:
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- evidência
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- interações medicamentosas
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- segurança
Quais são os fitoterápicos mais ensinados em universidades de medicina (aqueles que realmente aparecem em currículos e livros médicos)?
Alguns fitoterápicos aparecem com mais frequência em livros médicos e diretrizes internacionais. Veja os principais:
Psyllium: para que serve?
O psyllium é uma fibra natural usada para:
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- Prisão de ventre
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- Síndrome do intestino irritável
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- Auxílio no controle do colesterol
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- Ajuda no controle da glicose
É considerado um dos fitoterápicos mais seguros e bem estudados.
Ginkgo biloba ajuda na memória?
O ginkgo biloba é estudado para:
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- Dificuldades leves de memória
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- Comprometimento cognitivo inicial
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- Problemas de circulação
Alguns estudos mostram benefício discreto, especialmente em idosos. Porém, pode aumentar o risco de sangramento em quem usa anticoagulantes.
Serenoa repens melhora sintomas da próstata?
A serenoa repens é utilizada para:
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- Sintomas urinários leves da hiperplasia benigna da próstata (HPB)
Ela pode ajudar em casos leves, mas não substitui medicamentos convencionais quando os sintomas são moderados ou intensos.
Erva de São João funciona para depressão?
A erva de São João (Hypericum perforatum) é estudada para:
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- Depressão leve a moderada
Alguns estudos mostram eficácia semelhante a antidepressivos leves. Porém, ela pode interagir com vários medicamentos, como anticoncepcionais e antidepressivos.
Nunca deve ser usada sem orientação médica.
Valeriana realmente ajuda no sono?
A valeriana é usada para:
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- Insônia leve
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- Ansiedade leve
Pode ajudar algumas pessoas, especialmente quando o problema é leve. O efeito costuma ser suave.
Cimicífuga ajuda na menopausa?
A cimicífuga é estudada para:
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- Ondas de calor
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- Sintomas da menopausa
Os resultados são variados. Algumas mulheres relatam melhora, mas ela não substitui terapia hormonal quando esta é indicada.
Hortelã-pimenta ajuda no intestino?
O óleo de hortelã-pimenta tem boa evidência para:
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- Dor abdominal
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- Síndrome do intestino irritável
Pode ajudar a reduzir cólicas e desconforto intestinal.
Conclusão:
É necessário um caminho viável à credibilidade dos fitoterápicos, caso contrário, a sociedade sairá perdendo.
Conforme exposto acima, quase sempre, é economicamente inviável obter um nível forte de evidência científica para os fitoterápicos. Isto por não haver um player no mercado interessado em pagar por estudos caros, sem garantia de exclusividade comercial para compensar os custos.
Portanto, faz-se necessário, uma vias complementares de validação de seu uso que possam se somar as evidências científicas existentes. Neste contexto, o tempo de uso secular ou milenar, ampara matematicamente, através do Efeito Lindy (estatística aplicada), o uso de vários fitoterápicos. Além disso, reforça a recomendação do uso de muitos fitoterápicos o reconhecimento institucional pelo SUS e por várias universidades nacionais e internacionais.
Em benefício do paciente e a partir do exposto neste texto, pode-se inferir que existe uma boa margem de segurança para o uso de fitoterápicos tradicionais, utilizados há séculos ou milênios pela humanidade e que possuem um nível de evidência científica de moderado até moderado a forte.
Leia também:
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http://gov.br/saude/plantas-medicinais-e-fitoterapicos
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