DIETA LOW CARB: AS 5 FONTES DE ENERGIA DO CORPO E COMO CALIBRÁ-LO PARA QUEIMA DE GORDURA
Além da contagem de calorias, essencial em qualquer dieta, podemos adotar estratégias simples (como a dieta low carb) para facilitar a queima de gordura pelo corpo e emagrecer. Low carb significa baixo carboidrato, uma dieta de baixo carboidrato tende a ter baixa caloria e, além disso, causa efeitos no metabolismo que favorecem a queima de gordura. Para entendermos como isso acontece, em primeiro lugar, devemos entender quais são as fontes de energia do nosso organismo e em que situação cada uma delas é utilizada.
Para entendermoscomo a dieta low carb (ou de baixo carboidrato) pode ajudar na queima de gordura corporal, precisamos verificar quais são as fontes de energia que o corpo pode utilizar:
As reservas de energia do organismo estão distribuídas entre os componentes abaixo:
ATP
creatina fosfato
carboidratos (glicose e glicogênio)
gorduras
proteínas
Quando cada tipo de reserva de energia é utilizado pelo corpo?
Cada tipo de “combustível” é disponibilizado de acordo com a duração e intensidade do esforço, conforme abaixo:
ATP (laranja)
CP – Creatina Fosfato (amarelo)
Glicose e glicogênio anaeróbio (azul)
Glicose e glicogênioaeróbio (marrom)
Gordura(vermelho)
Uso imediato
Primeiros segundos do exercício
Primeiros minutos do exercício
1ª e 2ª horas do exercício intenso
horas a dias do exercício leve a moderado
1. ATP (adenosina trifosfato):
É a forma de energia imediatamente utilizável pelo organismo.
Todas as outras fontes de energia (creatina, carboidratos, gorduras e proteínas) são convertidas em ATP antes de serem usadas.
As reservas de ATP são limitadas e se esgotam rapidamente.
2. Creatina fosfato:
Uso nos primeiros segundos do exercício
É uma molécula de alta energia que atua regenerando o ATP de forma rápida.
Permite a continuidade das reações energéticas nos primeiros segundos de exercício ou atividade intensa.
3. Carboidratos(glicose e glicogênio):
São a principal fonte de energia para esforços intensos, como musculação, atividades esportivas de alta intensidade ou trabalho físico pesado.
4. Lipídios (gorduras):
Fornecem energia durante o repouso e o jejum.
Também são utilizados em esforços de baixa a moderada intensidade e longa duração, como caminhadas e maratonas.
5. Proteínas:
Têm função principalmente estrutural — formam músculos, enzimas e tecidos.
Utilizadas como fonte de energia apenas em situações de carência prolongada de carboidratos e gorduras, como no jejum extremo ou desnutrição.
Qual é o médico que atua ajudando na dieta low carb, queima de gordura e no emagrecimento?
O médico que atua favorecendo o emagrecimento e a queima de gordura é aquele com formação em Nutrologia.
O Dr. Felipe Caixeta é médico graduado pela Faculdade de Ciências Médicas de MG e tem formação em Nutrologia pelaAssociação Brasileira de Nutrologia (ABRAN).
Além disso, possui 18 anos de experiência como clínico geral e 10 anos de atuação com suplementação nutricional.
Também possui especializações emNutrologia Esportiva e Homeostase Hormonal.
O termo “anaeróbico” significa literalmente “sem oxigênio”. Exercícios anaeróbicos são atividades físicas de alta intensidade e curta duração, nas quais o corpo não depende do oxigênio. Esses esforços explosivos exigem produção rápida de energia.
Nos exercícios anaeróbicos o corpo usa o ATP e a Creatina fosfato (CP) nos primeiros segundos. Em seguida, utiliza a glicose por meio da quebra sem o uso de oxigênio, o que gera energia rápida, mas forma ácido lático. Este ácido causa fadiga muscular limitando o tempo de uso desta via.
Exemplos de exercícios anaeróbicos:
Musculação (levantamento de peso)
Corridas curtas e intensas (sprints)
Saltos e lutas
Treinos HIIT (intervalados de alta intensidade)
O que são exercícios aeróbicos?A queima de gordura utiliza oxigênio para geração de energia?
“Aeróbico” vem do grego e significa “com oxigênio”. Ou seja, são exercícios físicos que utilizam oxigênio para gerar energia durante o esforço. Para a queima de gordura é necessário o oxigênio, sendo portanto uma atividade física aeróbica.
Nos exercícios aeróbicos, os esforços têm intensidade moderada e são realizados por um período prolongado, o que estimula o sistema respiratório. A produção de energia é mais lenta, mas sustentável por longos períodos. Predomina a queima de gordura como fonte de energia, especialmente em intensidades baixas a moderadas.
Exemplos comuns de exercícios aeróbicos:
Caminhada rápida
Corrida leve ou trote
Pedalar (ciclismo)
Natação
Dança
Subir escadas ou subir montanhas
As fontes de energia do corpo são utilizadas em conjunto ou separadamente?
Mais de uma fonte de energia é utilizada ao mesmo tempo, a intensidade e a duração do esforço vão determinar a quantidade utilizada de cada fonte.
Na realidade, a contribuição de cada sistema energético varia muito conforme:
nível de treinamento do indivíduo
intensidade da carga
número de repetições
tempo sob tensão
intervalo de descanso
Por isso, as imagens abaixo são exemplos ilustrativos e os percentuais de uso de cada fonte de energia são aproximados, apenas como forma de mostrar o predomínio de cada fonte de energia dependendo do tipo de exercício.
Glicólise = quebra da glicose sem uso de oxigênio Aeróbico = quebra da glicose e das gorduras com uso de oxigênio
Glicólise = quebra da glicose sem uso de oxigênio Aeróbico = quebra da glicose e das gorduras com uso de oxigênio
O que significa ter uma boa flexibilidade metabólica?
Assim como alguns carros podem alternar entre o uso de gasolina ou álcool, a flexibilidade metabólica é a capacidade do corpo de se adaptar a diferentes fontes de energia, dependendo da disponibilidade e do nível de atividade.
Por exemplo, conforme já foi explicado neste texto, em repouso o corpo normalmente utiliza a gordura como fonte de energia. Já durante um exercício intenso ou após uma refeição rica em carboidratos, ele passa a queimar glicose.
Uma pessoa metabolicamente flexível consegue transitar facilmente entre essas fontes de energia, otimizando o uso e o armazenamento de energia.
Como favorecer a queima da gordura no dia a dia?
Quando os hábitos de vida são ruins, com sedentarismo, estresse e dieta rica em carboidratos refinados, o metabolismo tende a se tornar inflexível e o corpo pode ter dificuldade na queima de gordura de forma eficaz.
Em vez disso, torna-se excessivamente dependente da glicose, aumentando o armazenamento de gordura devido ao excesso de gordura não utilizada na corrente sanguínea. Além disso, podem ocorrer quedas bruscas de energia quando os níveis de glicose diminuem.
Ao melhorar a flexibilidade metabólica, o corpo torna-se mais eficiente na utilização da gordura armazenada como fonte de energia, favorecendo a perda de peso e reduzindo o risco de obesidade e diabetes tipo 2.
Além de adotar uma dieta com restrição de calorias, fundamental para perda de peso, podemos lançar mão de algumas estratégias para favorecer a queima de gordura. Na tabela abaixo estão os principais fatores que podem favorecer o uso de gordura como combustível, ao invés de carboidratos, para perda de peso e melhora da saúde geral.
Fatores que favorecem a queima de gordura:
Fator
Efeito metabólico
Baixar os níveis de insulina no sangue (dieta low carb)
Estimula a queima de gordura
Jejum intermitente moderado
Aumenta o uso de gordura
Exercício aeróbico de intensidade moderada
Favorece mitocôndrias e uso de gordura
Sono adequado
Mantém sensibilidade à insulina
Dieta rica em gorduras boas
Adapta o metabolismo à queima de gordura (cetose leve)
A seguir, vamos abordar com mais detalhes a dieta low carb e como ela favorece o uso da gordura como fonte de energia.
O que são os macronutrientes? Qual deles deve ser evitado em uma dieta low carb?
São nutrientes que o corpo precisa em grandes quantidades para manter as funções vitais.
Os três principais macronutrientes são os carboidratos, as proteínas e as gorduras.
Figura: macronutrientes
As fibras e a água também podem ser considerados macronutrientes.
Em uma dieta low carb devemos evitar os carboidratos e diminuir o seu consumo a níveis mínimos.
O que são os carboidratos?Porque os carboidratos devem ser reduzidos em uma dieta low carb?
São moléculas formadas por carbono, hidrogênio e oxigênio, cuja principal função é fornecer energia para o organismo.
Eles são uma fonte de energia utilizada mais rapidamente pelo corpo do que as gorduras, especialmente por órgãos que exigem gasto energético constante como o cérebro, o coração e os músculos.
São facilmente convertidos em glicose (que é o açúcar medido no sangue) e são armazenados no fígado e nos músculos em forma de glicogênio.
Exemplos de fontes de carboidratos: pães, massas, biscoitos, doces, refrigerantes, arroz, batata, milho, frutas, mel, legumes e cereais integrais.
Os carboidratos devem ser evitados em uma dieta low carb para que, na ausência de carboidratos, a gordura possa ser queimada como fonte de energia.
O que são os carboidratos simples?
Figura:carboidratos refinados (sem fibras)
São carboidratos que passam por processos industriais que removem fibras e outros nutrientes.
Eles possuem estrutura molecular simples (monossacarídeos e oligossacarídeos).
Figura: processamento industrial dos carboidratos
Possuem digestão e absorção rápidas, elevando a glicose no sangue de forma abrupta.
Proporcionam pouca saciedade, podendo causar picos de insulina e posterior queda de glicose, o que pode aumentar a fome.
Exemplos: Açúcar branco, farinha de trigo branca, pão branco, macarrão branco, doces, bolos e refrigerantes.
Em uma dieta low carb, devemos diminuir ao máximo o consumo de carboidratos refinados. Desta forma, podemos evitar os picos de açúcar e de insulina no sangue, esses picos dificultam a queima de gordura.
Figura: exemplo de café da manhã de dieta low carb
O que é uma dieta low carb?
A tradução literal do termo em inglês significa “baixo carboidrato”.
Neste contexto, a dieta low carb é uma estratégia alimentar que consiste em reduzir o consumo de carboidratos, especialmente os refinados (pães, massas e doces), e priorizar alimentos ricos em proteínas e gorduras saudáveis.
Ao diminuir a ingestão desse macronutriente, o organismo passa a usar a gordura como sua principal fonte de energia, o que pode favorecer o emagrecimento e melhorar a saúde metabólica.
Por que a dieta low carb pode ser eficaz?
A dieta age no metabolismo das seguintes formas:
Redução da insulina: Ao consumir menos carboidratos, em especial os simples, o corpo libera menos insulina, o hormônio responsável por armazenar gordura. Isso facilita a queima de gordura e reduz o acúmulo de tecido adiposo.
Melhor controle da fome e da saciedade:
Ocorre menor variação nos níveis de açúcar no sangue resultando em menos picos de fome.
Alimentos ricos em proteínas e gorduras levam mais tempo para serem digeridos, o que aumenta a sensação de saciedade e ajuda a controlar o apetite por mais tempo.
Queima de gordura: Com menos glicose disponível (combustível mais rápido), o corpo recorre às suas reservas de gordura para obter energia, um processo chamado lipólise.
Melhora na sensibilidade à insulina e parâmetros metabólicos: Estudos mostram que dietas low carb podem:
reduzir triglicerídeos;
aumentar o HDL (“colesterol bom”);
diminuir a glicemia e a insulina de jejum;
melhorar o controle glicêmico em diabéticos tipo 2;
em alguns casos, pode reduzir marcadores inflamatórios.
Dieta Low Carb ou Low Fat: qual é melhor para prevenir cálculos biliares?
Os cálculos biliares (as famosas “pedras na vesícula”) são muito comuns, especialmente em pessoas com excesso de peso, resistência à insulina ou que passam por emagrecimento rápido.
O que são cálculos biliares e por que eles se formam?
A vesícula biliar é um pequeno órgão que armazena a bile, substância produzida pelo fígado para ajudar na digestão das gorduras.
A maioria dos cálculos é formada por colesterol. Eles surgem principalmente quando:
Há colesterol em excesso na bile
A vesícula fica muito tempo sem se contrair (bile parada)
Existe resistência à insulina ou alterações metabólicas
Ou seja, alimentação e metabolismo têm papel importante nesse processo.
A dieta influencia no risco de pedra na vesícula?
Sim. Tanto o tipo de alimento quanto a velocidade do emagrecimento interferem no funcionamento da vesícula.
Dietas muito restritivas ou que levam a perda de peso muito rápida aumentam o risco de formação de cálculos.
Além disso, a quantidade de gordura ingerida influencia diretamente a contração da vesícula.
Por que a dieta muito pobre em gordura pode aumentar o risco?
Quando ingerimos gordura, o organismo libera um hormônio que faz a vesícula se contrair e liberar a bile para o intestino.
Dietas muito pobres em gordura podem:
Reduzir o estímulo de contração da vesícula
Fazer a bile ficar “parada” por mais tempo
Aumentar o risco de formação de cálculos
Ou seja, a vesícula precisa ser estimulada regularmente.
Quais são as vantagem da dieta low carb?
A dieta low carb (com menos carboidratos, especialmente os refinados) pode trazer algumas vantagens metabólicas importantes:
1. Melhor controle da insulina
A resistência à insulina aumenta a liberação de colesterol na bile.
2. Redução dos triglicerídeos
Triglicerídeos elevados estão associados a maior risco de cálculos. A low carb costuma reduzir esses níveis de forma significativa.
3. Melhor estímulo da vesícula
Como geralmente contém uma quantidade moderada de gordura saudável, a vesícula é estimulada a se contrair regularmente, evitando estase biliar.
Então a dieta low fat é ruim?
Não necessariamente.
Uma dieta low fat bem planejada, rica em fibras, vegetais e pobre em açúcar, pode ser saudável.
O problema surge quando ela é:
Muito restritiva em gordura
Rica em carboidratos refinados
Associada a emagrecimento rápido demais
Nesse cenário, o risco de cálculos pode aumentar.
Perder peso rápido aumenta o risco de cálculos?
Sim. Esse é um dos fatores mais importantes.
Durante perda de peso muito acelerada:
O fígado libera mais colesterol na bile
A vesícula pode esvaziar menos
A formação de cálculos se torna mais provável
Por isso, emagrecimento gradual é sempre mais seguro.
Qual é a melhor estratégia para prevenir cálculos biliares?
Mais importante do que rotular a dieta como “low carb” ou “low fat” é seguir alguns princípios:
Incluir gorduras saudáveis em quantidade moderada
Reduzir carboidratos refinados
Consumir boas quantidades de fibras
Evitar dietas muito restritivas
Emagrecer de forma gradual
Conclusão
Do ponto de vista metabólico, uma alimentação equilibrada, com controle de carboidratos refinados e presença moderada de gorduras saudáveis, tende a ser mais favorável para a prevenção de cálculos biliares do que dietas extremamente pobres em gordura.
A vesícula precisa funcionar — e para isso, precisa ser estimulada regularmente.
Como fazer uma dieta low carb?
Reduzir a ingestão de carboidratos refinados ou simples
Evite açúcar, doces, sorvetes e refrigerantes.
Evite alimentos à base de farinha branca como pães, biscoitos e massas.
Fuja de alimentos ricos em amido ou feitos a partir dele, como batata inglesa, arroz, mandioca, milho e cerveja.
Prefira carboidratos ricos em fibras e de digestão mais lenta como legumes, verduras e grãos integrais.
Figura: exemplo de almoço em dieta low carb
Manter níveis baixos de insulina e evitar picos de insulina constantes
Comer com muita frequência ou ingerir muitos carboidratos simples mantém a insulina alta impedindo a queima de gordura.
Quando ela está baixa (após jejum ou alimentação low carb), o corpo mobiliza as unidades de gordura (ácidos graxos) para gerar energia.
Figura: outro exemplo de almoço em dieta low carb
Treinar a flexibilidade metabólica
Alternar dias com mais carboidratos e dias com menos (estratégia chamada “carb cycling”).
Isso ensina o corpo a se adaptar a diferentes fontes energéticas.
A privação de sono e o estresse crônico elevam cortisol, o que prejudica os efeitos da insulina no corpo, fazendo com que o organismo produza maiores quantidades para vencer a resistência. Níveis de insulina altos levam a uma menor queima de gordura.
Figura: exemplo dejantar low carb
No próximo post falaremos mais sobre o jejum intermitente e sua importância para a queima de gordura corporal.